Pai de influenciador morto em queda de helicópteros no Rio aponta suposto ataque
- Marcelo Bueno
- 18 de jun.
- 3 min de leitura

Declaração de Ricardo Héctor Prim contesta versão de acidente e evoca teorias conspiratórias sobre a morte do youtuber Gaspi e do cantor americano Oliver Tree.
O comerciante argentino Ricardo Héctor Prim afirmou publicamente que a colisão aérea entre dois helicópteros que matou seu filho, o influenciador Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, não se tratou de um acidente. O desastre ocorreu no último domingo (14), no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, e resultou na morte de seis pessoas. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o pai da vítima declarou acreditar que as aeronaves sofreram um ataque direcionado.
A hipótese levantada por Prim baseia-se em materiais de redes sociais que sugerem retaliação contra outra vítima do mesmo voo, o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree, de 32 anos. Segundo as teses compartilhadas pelo comerciante, o músico teria denunciado supostas ações da elite dos Estados Unidos e deixado sua gravadora para falar com liberdade, contando com o apoio de Gaspi na divulgação dos relatos. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), contudo, mantêm as investigações focadas em fatores técnicos e operacionais de tráfego aéreo.
Detalhes do desastre e andamento das perícias
A batida no ar envolveu os helicópteros de prefixos PP-MAC e PR-DJJ na manhã do dia 14, às 8h59. Um dos aparelhos transportava quatro passageiros e o piloto com partida de Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, onde o grupo havia realizado atividades ligadas à gravação de um projeto audiovisual. A segunda aeronave, que saiu do aeroporto de Jacarepaguá com destino a Angra dos Reis, operava apenas com o piloto a bordo no momento do impacto. Com o choque, as estruturas despencaram sobre o pátio de uma concessionária da marca BYD na Avenida das Américas — localizado em terreno de uma igreja abandonada alugada pela empresa —, provocando explosões e incêndios que destruíram pelo menos 20 veículos elétricos estacionados.
Os peritos do Instituto Médico-Legal (IML) concluíram a identificação formal de todos os seis corpos. Os três brasileiros — os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac, e o DJ e produtor musical Lucas Brito Chaves, conhecido profissionalmente como Lucas Frota — foram identificados inicialmente. Os mortos de nacionalidade argentina, o criador de conteúdo Gaspi, de 23 anos, e o diretor de cinema independente Lucas Vignale, também foram identificados. A confirmação oficial do óbito de Oliver Tree, cujos restos mortais estavam carbonizados, foi concluída por meio de análise de exames radiológicos da arcada dentária enviados pelos Estados Unidos.
Investigação descarta transporte clandestino
A tese inicial de que os voos realizavam transporte aéreo clandestino de passageiros foi formalmente rechaçada pela delegacia responsável pelo caso. O foco principal da apuração policial agora se concentra em descobrir se houve descumprimento ou desvio no plano de voo aprovado para aquela manhã, incluindo a apuração de possível erro humano por parte dos pilotos ou dos controladores de tráfego aéreo.
Paralelamente, técnicos do Cenipa coletaram componentes e dados geográficos no local da queda para estruturar a análise dos fatores humanos, materiais e operacionais que geraram a colisão física dos helicópteros. Teorias de sabotagem ou intervenção externa deliberada, até o momento, circulam exclusivamente nos depoimentos da família à imprensa estrangeira e em canais de mídia social de fãs dos artistas.
Nota do Editor: As declarações sobre um suposto atentado reproduzidas nesta matéria refletem posicionamentos pessoais de um familiar das vítimas, sem amparo em laudos técnicos ou evidências validadas pelas forças policiais brasileiras até a publicação deste texto.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
Portal de Notícias UOL (Matéria original de 17/06/2026 e atualizações)
G1 Rio de Janeiro (Reportagens de cobertura pericial e identificação do IML)
Agência Brasil (Dados oficiais do Corpo de Bombeiros e dinâmica da queda)
Jornal Clarín (Entrevista com Ricardo Héctor Prim)