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Airbus inicia testes do A350-1000ULR para voos de 22 horas sem escalas da Qantas

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 6 de jul.
  • 2 min de leitura

O jato executou o primeiro voo na França e passará por dois meses de ensaios antes da estreia comercial prevista para 2027.

A Airbus colocou no ar a aeronave projetada para extinguir as conexões nas rotas intercontinentais mais extremas do planeta. O modelo A350-1000ULR completou seu primeiro voo de teste no início de junho em Toulouse, na França. A operação inaugura a fase de certificação do equipamento desenvolvido especificamente para a companhia australiana Qantas.

O projeto visa cumprir o chamado "Project Sunrise", uma iniciativa lançada em 2017 para conectar Sydney a cidades como Londres e Nova York em uma única perna. O trajeto exige cobrir quase 10 mil milhas náuticas, o que mantém os passageiros a bordo por até 22 horas ininterruptas. A fabricante europeia agendou a primeira entrega à frota australiana para abril de 2027.


Engenharia de peso e combustível extra

Para sustentar um dia inteiro no ar, os engenheiros alteraram a estrutura interna da fuselagem em relação ao A350-1000 padrão. A Airbus instalou um Tanque Central Traseiro (RCT) capaz de armazenar 20 mil litros adicionais de querosene de aviação. Essa reserva garante 1.000 milhas náuticas extras e a margem de segurança necessária para eventuais desvios no fim da rota.

A aeronave ganhou motores Rolls-Royce Trent XWB-97 e suporta um peso máximo de decolagem ampliado. O ganho de carga, no entanto, forçou a fabricante a caçar excessos no interior do tubo. A adoção de um novo sistema de refrigeração para as cozinhas cortou 300 quilos do peso final, tecnologia que se tornará padrão na família A350.

O protótipo batizado como MSN 707 enfrenta agora um cronograma de dois meses de ensaios em voo. Os pilotos de teste precisam validar a transferência de combustível entre os tanques e garantir que o peso extra não desestabilize a aeronave em diferentes altitudes. Após a bateria de certificações, o avião receberá a configuração final de cabine comercial.


Espaço interno e combate à exaustão

A Qantas encomendou 12 unidades da versão de alcance ultralongo e limitou a capacidade do modelo a 238 assentos. A densidade reduzida serve para compensar o peso do combustível e mitigar o impacto físico de um voo ininterrupto de quase um dia. A cabine conta com seis suítes de primeira classe, 52 na executiva, 40 na econômica premium e 140 lugares na classe econômica com 33 polegadas de espaço.

O projeto arquitetônico do interior inclui uma zona de bem-estar dedicada ao alongamento e movimentação. A empresa australiana desenhou essa área comum para combater os efeitos do confinamento e atenuar o choque extremo de fuso horário. Uma segunda aeronave já entrou na linha de montagem final e atualmente recebe a pintura com a identidade visual da Qantas.

A companhia planeja iniciar as operações assim que as autoridades de aviação europeias validarem os testes estruturais e liberarem a certificação. O prazo exato de homologação depende do desempenho aerodinâmico do jato nos ensaios. Até o fechamento desta reportagem, a data de início da venda de passagens corre de forma extraoficial e é tratada como projeção.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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