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Aos 66 anos de carreira na aviação, a comissária mais antiga do mundo anuncia aposentadoria

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 17 de jun.
  • 3 min de leitura

Joan Prince Crandall começou a voar em 1959 na era dos motores a hélice e se despede das cabines na atual frota de jatos transatlânticos da Delta Air Lines.


A comissária de bordo Joan Prince Crandall, considerada a profissional com mais tempo de serviço ativo na aviação comercial global, confirmou que vai deixar os céus. Após uma trajetória de mais de 66 anos iniciada no final da década de 1950, a tripulante baseada no estado de Washington, nos Estados Unidos, prepara os trâmites finais para a sua aposentadoria oficial.

A Delta Air Lines, atual empregadora de Crandall, monitora os registros operacionais do setor e aponta a comissária como a recordista de longevidade na profissão. A despedida marca o fim de uma era que conectou o transporte de passageiros em aeronaves a hélice de pequeno porte até os voos de longo curso operados por jatos modernos com capacidade para centenas de pessoas.


Dos motores a hélice aos jatos comerciais


Joan Prince Crandall ingressou no mercado de aviação em 1959 na antiga Pacific Airlines. O início das atividades ocorreu a bordo de modelos clássicos como o Douglas DC-3, que comportava apenas 24 passageiros, além dos bimotores Martin 404 e Fairchild F-27.

A estabilidade na carreira demandou resiliência diante das frequentes transformações corporativas do mercado norte-americano. Nas décadas seguintes, o contrato de trabalho de Crandall passou por sucessivas fusões e consolidações de marcas, transitando pela Air West, Hughes Airwest, Republic Airways e Northwest Airlines, até a integração definitiva à frota da Delta Air Lines no ano de 2008.


A evolução dos direitos civis a bordo


O início da jornada da comissária coincidiu com um período de rígidas restrições trabalhistas direcionadas exclusivamente às mulheres na aviação. Nos anos 1950 e 1960, as corporações impunham demissão compulsória em caso de casamento, controle estrito de oscilação de peso e idade limite de 32 anos para a permanência no cargo.

A virada legislativa que reformulou as regras trabalhistas ocorreu com a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964 nos Estados Unidos. A inclusão da igualdade de gênero no texto legal proibiu os desligamentos motivados por matrimônio ou gravidez, permitindo a estabilização e a extensão da carreira das tripulantes pelas décadas seguintes.


O peso da segurança em solo e no ar


A rotina operacional sofreu guinadas técnicas profundas. Se no início da carreira o foco das companhias aéreas residia no glamour estético dos uniformes e no serviço de bordo dinâmico, as exigências regulatórias transformaram o papel dos comissários em agentes técnicos de gerenciamento de crises e sobrevivência.

A transição para aeronaves de grande porte alterou drasticamente a proporção de atendimento e a responsabilidade civil das tripulações. Em seus voos mais recentes na função de comissária-chefe da Delta, Crandall passou a chefiar equipes em modelos como o Airbus A350-900, cuja capacidade de transporte atinge 306 passageiros — um volume de pessoas quase oito vezes maior do que a ocupação total dos primeiros aviões de sua escala de voo em 1959.

Fora das cabines de comando, os planos de Crandall incluem o desenvolvimento de um livro de memórias sobre os bastidores da aviação comercial e a continuidade de viagens internacionais como passageira de turismo, com roteiros planejados para Paris, Mumbai e Hong Kong.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

  • Reportagem original da CNN Portugal / CNN Travel (Publicada em 13 de junho de 2026).

  • Dados históricos de contratação e frota da Delta Air Lines.

  • Estatísticas salariais e históricas do Gabinete de Estatísticas do Trabalho dos EUA (U.S. Bureau of Labor Statistics) e da Associação de Comissários de Bordo Profissionais (APFA).

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