Combustível de aviação cai com acordo EUA-Irã, mas aéreas seguram preço das passagens!
- Marcelo Bueno

- 22 de jun.
- 3 min de leitura

Apesar da liberação do petróleo iraniano e do corte de 14,2% da Petrobras no querosene, setor prioriza recompor margens de lucro em vez de baratear voos.
O preço do barril de petróleo despencou e o combustível de aviação seguiu a mesma rota. Os passageiros, no entanto, continuarão pagando caro pelos bilhetes de embarque. Um acordo preliminar de paz assinado entre Estados Unidos e Irã forçou uma redução profunda nos custos operacionais das companhias aéreas nesta reta final de junho.
A matemática parecia favorável ao consumidor final. O galão do querosene de aviação caiu de um pico de US$ 4,88 para US$ 2,85 no mercado norte-americano, enquanto a Petrobras reduziu o valor do insumo em 14,2% nas refinarias brasileiras. Ainda assim, a capacidade limitada da indústria e os atrasos na entrega de novas aeronaves garantem às companhias o poder de manter as tarifas nas alturas.
A recomposição do caixa
O setor aéreo sofreu um golpe pesado no início do ano. Os custos com combustível subiram três vezes mais rápido do que os reajustes que as empresas conseguiram repassar aos clientes. Agora, com a queda no valor do insumo, as companhias evitam o desconto nas passagens para tapar o buraco financeiro deixado pelo pico da crise no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, gigantes como United e Delta Airlines recuperaram até agora apenas metade da verba gasta a mais com querosene durante a alta. O CEO da United, Scott Kirby, declarou que o objetivo central da empresa é zerar essa diferença até dezembro. Essa estratégia de recuperação de caixa passa diretamente pela manutenção da atual tabela de preços dos bilhetes.
O cenário se repete no mercado brasileiro de aviação. O governo federal liberou R$ 8 bilhões via Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para apoiar a liquidez das companhias, mas não há projeção oficial de bilhetes mais baratos. A Latam, por exemplo, confirmou nesta semana que foca suas energias em operações de proteção cambial (hedge) e cortes internos para segurar a margem operacional, sem mencionar repasse de descontos aos passageiros.

Menos aviões, tarifas maiores
Uma queda abrupta no petróleo costumava significar uma imediata guerra de preços. As companhias aéreas ampliavam o número de voos para esmagar a concorrência e ganhar no volume de passageiros. O mercado pós-pandemia quebrou essa regra.
A indústria global enfrenta hoje uma grave escassez operacional. Sem novas aeronaves suficientes para inflar a oferta de assentos e com limites rígidos de slots nos aeroportos, a concorrência esfria. Dados da consultoria Raymond James indicam que as tarifas domésticas americanas, compradas com uma semana de antecedência, operam 34% mais caras que no mesmo período do ano passado.
O Departamento do Tesouro dos EUA autorizou a compra de petróleo do Irã até 21 de agosto, carimbando o memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã. Se o pacto definitivo sair do papel em 60 dias, o combustível pode desvalorizar ainda mais. Até lá, a aviação civil continuará aproveitando o fôlego nos custos para engordar o próprio caixa.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
ADVFN (Artigo-base sobre a discrepância entre custos de combustível e passagens aéreas)
Folha de S.Paulo e Money Times (Liberação temporária do petróleo iraniano e cotação do barril Brent)
G1 / Globo (Redução de 14,2% do Querosene de Aviação pela Petrobras)
Agência Brasil (Detalhes do memorando de paz EUA-Irã)
InfoMoney / Bloomberg (Avanço nas rodadas de negociações na Suíça e impacto no Dow Jones)
Nota do Editor: Até o fechamento desta reportagem, as associações representativas do setor aéreo (como a Abear) e as principais companhias que operam no Brasil não emitiram comunicados garantindo reduções tarifárias no curto prazo. A manutenção dos preços elevados do lado do consumidor é tratada por analistas de mercado como o cenário de base para o terceiro trimestre.



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