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Combustível derruba gigantes: aéreas estatais chinesas projetam perda de até US$ 1,3 bilhão no semestre

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 22 de jul.
  • 2 min de leitura

Avisos enviados às bolsas mostram prejuízo quase dobrado em relação a 2025; alta do querosene após acirramento do conflito no Oriente Médio é apontada como causa central.


Imagem Ilustrativa Gerada por IA
Imagem Ilustrativa Gerada por IA

O primeiro semestre de 2026 será lembrado como um dos mais duros da história recente da aviação chinesa. China Southern, Air China e China Eastern, as três maiores companhias do país, todas de controle estatal, comunicaram ao mercado projeções de prejuízo líquido conjunto entre 7,37 e 8,97 bilhões de yuans, montante equivalente a até US$ 1,3 bilhão.


A deterioração é acentuada: no mesmo intervalo de 2025, as perdas somadas haviam ficado em 4,77 bilhões de yuans. A China Southern responde pela maior fatia do rombo atual, com estimativa de até 3,97 bilhões de yuans negativos, seguida por Air China e China Eastern.


Trimestres opostos


Os documentos revelam uma inflexão abrupta. As três companhias registraram lucro no primeiro trimestre, sustentadas pela demanda doméstica aquecida. O quadro inverteu-se a partir de abril, quando a escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada em março, pressionou as cotações do petróleo e, por consequência, do querosene de aviação, item que representa a maior despesa operacional do setor.


Nas comunicações oficiais, as empresas admitem que as medidas internas de contenção de custos foram insuficientes para absorver o que classificaram como alta "substancial" do combustível. Analistas do setor acrescentam dois agravantes: a baixa utilização de instrumentos de *hedge* pelas companhias chinesas e a intensa concorrência tarifária no mercado doméstico, que inviabiliza o repasse de custos aos bilhetes. Reduções de frequências para o Japão também subtraíram receita no período.


Expansão em meio à crise


Na contramão dos resultados, a China Southern avança em um plano de capitalização de 15 bilhões de yuans (cerca de US$ 2,2 bilhões) via emissão de ações, com recursos majoritariamente destinados à aquisição de 46 aeronaves, mix que inclui jatos Airbus A320neo, Boeing 737 MAX e doze unidades do COMAC C919, o avião comercial de fabricação chinesa. A subsidiária de carga da companhia firmou ainda, no fim de junho, encomenda de cargueiros Boeing 777 avaliada em US$ 3,62 bilhões em preços de lista.


O movimento evidencia a lógica de longo prazo do sistema estatal chinês: tratar o prejuízo como fenômeno conjuntural e a renovação de frota como prioridade estratégica, inclusive como plataforma de consolidação do programa aeronáutico nacional. Os balanços definitivos do semestre, previstos para o fim de agosto, dirão se as projeções se confirmam.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

- FlightGlobal, "'Formidable' fuel crisis set to drag China's 'Big Three' to steeper half-year losses" (https://www.flightglobal.com/strategy/2026/07/formidable-fuel-crisis-set-to-drag-chinas-big-three-to-steeper-half-year-losses/)

- Aviation Week, "China's 'Big Three' Warn of First-Half Losses Due To Fuel Cost Surge" (https://aviationweek.com/air-transport/airlines-lessors/chinas-big-three-warn-first-half-losses-due-fuel-cost-surge)

- The Globe and Mail/TipRanks, "China Southern Airlines Flags Sharp First-Half 2026 Loss on Fuel Cost Surge" (https://www.theglobeandmail.com/investing/markets/markets-news/Tipranks/3295590/china-southern-airlines-flags-sharp-first-half-2026-loss-on-fuel-cost-surge/)

- ch-aviation, "China Southern Airlines' $2.2bn issue under bourse review" (https://www.ch-aviation.com/news/169429-china-southern-airlines-22bn-issue-under-bourse-review)

- Sobral Online, "Prejuízo bilionário atinge gigantes da aviação chinesa em meio à alta do combustível" (16/07/2026, https://sobralonline.com.br/prejuizo-bilionario-aereas-chinesas-combustivel/)


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