Crise asfixia Flybondi: low cost argentina aterra frota e acumula 2.500 voos cancelados
- Marcelo Bueno

- 29 de jun.
- 2 min de leitura
A operadora trava disputas judiciais, enfrenta bloqueio de contas e deixou mais de 350 mil passageiros no chão nos últimos doze meses.

A Flybondi, primeira companhia aérea de baixo custo da Argentina, caminha para o colapso operacional. Na última quinta-feira (25), a empresa cancelou praticamente todos os seus voos por um período de 24 horas. O apagão aéreo não é um evento isolado, mas o sintoma mais agudo de uma asfixia financeira que paralisou o coração da companhia. Nos piores momentos de junho, a aérea conseguiu manter apenas um ou dois aviões no ar.
Dados da consultoria Adventus revelam que, entre junho de 2025 e maio de 2026, a operadora cancelou mais de 2.500 voos, afetando diretamente cerca de 350 mil clientes. A raiz do desmanche mistura o aumento global do querosene de aviação com dívidas milionárias atreladas ao dólar. Sem fluxo de caixa, a Flybondi deixou de pagar as empresas de leasing, o que resultou na retenção de grande parte de suas aeronaves no exterior.
Contas bloqueadas e caos trabalhista
A crise de crédito transbordou rapidamente para os bastidores operacionais. Ex-empregados e fornecedores cobram dívidas na Justiça argentina, que já determinou o bloqueio de contas bancárias da companhia em processos recentes. Relatos de sindicatos apontam salários atrasados e a abertura de um programa de desligamento voluntário para tentar enxugar a folha de pagamento.
A Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) da Argentina interveio com autuações pelas falhas sistemáticas no atendimento ao consumidor. Passageiros acampam nas redes sociais e nos terminais relatando dificuldades extremas para obter reembolsos. A deterioração acelerada forçou uma mudança no comando executivo em fevereiro deste ano, quando o então CEO, Mauricio Sana, entregou o cargo para Paz Lovisolo.
O mercado aéreo vizinho observa a retração severa da operadora que detinha a posição de segunda maior força no mercado doméstico argentino. O espaço deixado pela Flybondi impacta de imediato a conectividade em aeroportos estratégicos como o Aeroparque, em Buenos Aires. O encolhimento da malha atinge em cheio as rotas regionais, prejudicando ligações diretas da Argentina com o Brasil e o Peru.
Risco de paralisação total
Até a manhã desta segunda-feira (29), a operação da Flybondi continuava operando por aparelhos. Analistas do setor aeronáutico tratam a situação como crítica, uma vez que a sobrevivência da companhia depende de uma injeção de capital relâmpago para renegociar o passivo. Sem aviões, a empresa não gera receita; sem receita, não recupera os aviões retidos pelos credores.
A possibilidade de encerramento definitivo das atividades corre de forma extraoficial nos bastidores da aviação latino-americana e é tratada como um risco iminente por credores. A direção da empresa mantém um discurso público focado em reestruturação técnica. Até o fechamento desta reportagem, a companhia não havia apresentado um plano formal de recuperação judicial ou pedido de falência, limitando-se a orientar os passageiros a checarem o status dos voos online.
Fontes consultadas e checadas para esta matéria:
AERO Magazine, "Em profunda crise, Flybondi corre risco de encerrar atividades", Marcel Cardoso, https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/flybondi-crise-cancelamentos-voos-dividas-operacao-argentina.html
EL PAÍS, "Flybondi: la primera aerolínea de bajo coste argentina está al borde del colapso", Redação, https://elpais.com/argentina/2026-06-17/flybondi-la-primera-aerolinea-de-bajo-coste-argentina-esta-al-borde-del-colapso.html
AEROIN, "Crise na Flybondi força suspensão de várias aeronaves e provoca cancelamentos em massa", Carlos Ferreira, https://aeroin.net/crise-na-flybondi-forca-suspensao-de-varias-aeronaves-e-provoca-cancelamentos-em-massa/
El Diario del Fin del Mundo, "Flybondi profundiza su crisis y opera solo con dos aviones", Redação, https://www.eldiariodelfindelmundo.com/noticias/2026/06/03/116271-flybondi-profundiza-su-crisis-y-opera-solo-con-dos-aviones



Comentários