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EasyJet abre vagas de comissário para maiores de 50

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Você já ouviu, em algum grupo de WhatsApp de aspirante a comissário, aquela frase que corta o barato de muita gente: "depois dos 35 nem adianta tentar". Ninguém assume isso em edital, mas todo mundo sente na hora da dinâmica. Pois uma companhia europeia acabou de fazer o contrário, com número publicado, e o resultado desmonta o argumento.

Em 25 de agosto de 2026, a easyJet anunciou uma nova campanha de recrutamento de tripulantes de cabine com foco declarado em candidatos acima de 50 anos. As inscrições abrem em setembro de 2026, para vagas de 2027, em centenas de posições distribuídas pelas bases da companhia no Reino Unido. O anúncio saiu no media centre da própria empresa.


O essencial:


  • A easyJet anunciou em 25/08/2026 uma campanha de recrutamento de tripulantes de cabine com foco em maiores de 50 anos, com inscrições abrindo em setembro de 2026 para o quadro de 2027.

  • São centenas de vagas nas bases do Reino Unido. O release não informa número fechado nem quais bases entram.

  • Desde 2022, o número de tripulantes de cabine com mais de 50 anos na companhia cresceu 127%, e o de tripulantes com mais de 60 anos quase quadruplicou.

  • Hoje, 12% do corpo de tripulantes de cabine da easyJet tem mais de 50 anos.

  • Em pesquisa encomendada pela companhia, 79% dos ouvidos passaram a ver a idade como trunfo, e não como barreira.


Imagem gerada por IA
Imagem gerada por IA

O que a easyJet anunciou, exatamente


O anúncio é de campanha de recrutamento, não de programa social. A companhia abre inscrições em setembro de 2026 para posições de tripulante de cabine que serão preenchidas em 2027, com volume descrito como centenas de vagas espalhadas pelas bases britânicas.

O foco em maiores de 50 anos é declarado no próprio texto da empresa.


Os números que sustentam a política


A iniciativa da easyJet com candidatos acima de 50 anos começou em 2022. De lá para cá, o número de tripulantes de cabine nessa faixa cresceu 127% na companhia, ou seja, mais que dobrou.

O movimento é ainda mais forte na ponta de cima. O número de tripulantes com mais de 60 anos quase quadruplicou no mesmo período. Não é um punhado de contratações simbólicas para render foto.

O retrato de hoje: 12% do corpo de tripulantes de cabine da easyJet tem mais de 50 anos. Quatro anos atrás, esse pedaço era bem menor, e foi a política de recrutamento que mudou a conta.


O que diz a pesquisa encomendada pela companhia


Junto do anúncio, a easyJet divulgou uma pesquisa que ela mesma encomendou. Vale ter isso claro na leitura: é levantamento de parte interessada, não estudo independente.

A base foi de 801 adultos britânicos acima de 50 anos que mudaram de carreira, ouvidos entre 14 e 20 de agosto de 2026, mais 47 tripulantes da própria companhia, ouvidos entre 4 e 21 de agosto de 2026. O recorte de tripulantes é pequeno, com menos de cinquenta pessoas, e isso limita o quanto se pode generalizar a partir dele.

Os resultados: 80% relataram melhora na felicidade geral depois da mudança de carreira. 78% citaram ter recuperado a sensação de controle sobre a vida e o trabalho. 74% disseram se sentir mais capazes. 71% relataram aumento de confiança. E 79% passaram a enxergar a idade como trunfo, não como barreira.


Por que alguém muda de carreira depois dos 50


A pesquisa também mediu motivação, e aqui a resposta foge do clichê da realização pessoal. A razão mais citada foi flexibilidade de escala, com 41%. Depois vem maior satisfação, com 38%, e busca por novas experiências, com 32%.

Repare no que ficou em primeiro lugar. Escala flexível é exatamente o que a aviação oferece de forma estruturada, com folgas em dias úteis, troca de voo e regime que não é o das oito às seis de segunda a sexta. O que muita gente enxerga como o lado sofrido da profissão aparece, para esse público, como o atrativo principal.

Viagens e Turismo apareceu como o setor mais atrativo para quem muda de carreira depois dos 50. A companhia está recrutando onde o interesse já existe.


Serve para o candidato brasileiro?


Direto ao ponto: a vaga é no Reino Unido, e o release não trata de exigência de visto nem de direito de trabalho. Para o brasileiro sem passaporte europeu ou britânico, a barreira concreta tende a ser essa, não a idade. Quem for se inscrever precisa checar esse requisito antes de qualquer coisa, porque ele não está resolvido no anúncio.

O que sobra de aproveitável aqui é de outra ordem, e é mais útil do que parece. É contraprova pública contra a ideia de teto etário que roda candidatos nas seleções brasileiras. Companhia de baixo custo, operação de alto giro, e ainda assim 12% do quadro de cabine acima dos 50, com quatro anos de série histórica para mostrar.

Tem também uma leitura prática de currículo para o candidato maduro. Experiência de vida e trato com público, no discurso da easyJet, entram como ativo.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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