EasyJet rejeita oferta de R$ 32 bilhões de gestora dos EUA e acusa tentativa de "pechincha"
- Marcelo Bueno

- 23 de jun.
- 3 min de leitura
Castlelake apelou diretamente aos acionistas nesta segunda-feira (22) para forçar o negócio; conselho britânico alega que proposta subestima a companhia.

A companhia aérea britânica easyJet recusou uma oferta de aquisição de 4,74 bilhões de libras (aproximadamente R$ 32,3 bilhões) feita pela gestora norte-americana Castlelake. O conselho de administração barrou o acordo no domingo (21), sob a justificativa de que os valores subestimam grosseiramente as projeções de lucro da empresa. A operadora classificou a investida como uma tentativa de comprar seus ativos na pechincha.
Esta é a terceira vez que a Castlelake tem suas propostas negadas pelos executivos europeus nas últimas semanas. Diante do bloqueio, a firma com sede em Minneapolis tornou a oferta pública na manhã desta segunda-feira (22). A estratégia tenta jogar os acionistas contra o conselho da easyJet antes do limite estipulado pelos reguladores britânicos, que exigem uma definição formal de compra até a próxima sexta-feira (26).
Prêmio sobre as ações e crise no radar
A última proposta colocava na mesa o pagamento de 625 pence por ação em dinheiro. O valor representa um prêmio de cerca de 59% sobre o preço dos papéis registrado no final de maio, antes do interesse financeiro vazar para o mercado. Apesar da injeção de capital imediata, a diretoria da easyJet argumentou que a Castlelake baseou seus cálculos em um período de instabilidade excepcional.
As ações da companhia sofreram quedas abruptas no primeiro semestre de 2026, pressionadas pelo aumento do custo dos combustíveis decorrente dos conflitos no Oriente Médio. Para o conselho da aérea, aceitar a oferta agora significaria validar um oportunismo focado em tensões geopolíticas de curto prazo. Logo após a proposta vir a público, as ações da easyJet subiram mais de 3% na Bolsa de Londres, mas continuam estacionadas na faixa de 520 pence, valor distante do teto oferecido.
O drible nas leis de controle da União Europeia
Um dos principais entraves burocráticos para o negócio envolve a soberania do espaço aéreo. Regulamentos do bloco europeu proíbem que companhias aéreas regionais sejam controladas por corporações ou cidadãos fora da União Europeia, regra que ainda se aplica à operação da easyJet pós-Brexit. A Castlelake apresentou uma estrutura societária dividida. A gestora americana manteria 49% das ações, enquanto 51% do controle ficaria nas mãos de investidores e executivos europeus.
Para viabilizar a transação legalmente, os americanos trouxeram para a equipe Peter Bellew, ex-diretor de operações da própria easyJet e da Ryanair. A resposta da britânica, no entanto, expôs desconfiança comercial. Em nota aos investidores, a easyJet tratou a arquitetura do consórcio como "opaca" e informou possuir reservas consideráveis sobre o real endividamento que acompanharia o modelo de aquisição.
A tentativa hostil da Castlelake consolida um histórico de assédio estrutural sobre a aérea britânica. A operadora já havia bloqueado uma proposta de fusão da concorrente de baixo custo Wizz Air em 2021. Relatos de mercado apurados no ano passado indicavam, de forma extraoficial, que a gigante marítima MSC também avaliou os balanços da easyJet, embora nenhuma oferta oficial tenha se materializado.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
Airway (Matéria inicial sobre os valores da proposta de R$ 32 bilhões e a alegação de oportunismo).
Financial Times (Checagem do prêmio de 59% sobre os papéis e dos valores exatos da oferta em pence).
The Guardian (Confirmação da recusa do conselho no domingo e do prazo regulatório imposto para 26 de junho).
Quartz (Dados sobre a alta da ação nesta segunda-feira e o impacto da crise geopolítica no preço-base).
Nota do Editor: O avanço da oferta hostil depende da adesão massiva dos acionistas minoritários nos próximos dias. Caso a Castlelake não formalize a proposta de aquisição nas instâncias britânicas até as 17h da próxima sexta-feira (26), a regulamentação do Reino Unido barrará a gestora norte-americana de realizar novas investidas sobre a easyJet pelos próximos meses.
Vale levar alguns pontos a mais em consideração.
Castlelake como ofertante: embora citada em reportagens, a gestora não publicou comunicado oficial detalhando a proposta.
Oferta hostil: a caracterização como “hostil” vem da imprensa especializada; a easyJet oficialmente fala em “subavaliação” e “oportunismo”.
Prazo regulatório (26 de junho): mencionado em fontes britânicas, mas ainda depende de confirmação formal da autoridade reguladora.
Estrutura societária proposta (49% Castlelake / 51% UE): relatada por veículos, mas não confirmada em documentos públicos.



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