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Passageiros imobilizam piloto durante convulsão após avião sofrer solavancos e desviar rota nos EUA

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 27 de jun.
  • 3 min de leitura

Comandante da Air Canada teve emergência médica na quarta-feira (24); copiloto assumiu a aeronave e fez pouso não programado em Boston.



Um voo da Air Canada que ia de Newark (EUA) para Halifax (Canadá) precisou ser desviado às pressas na tarde de quarta-feira (24). O comandante da aeronave sofreu uma emergência médica, descrita por testemunhas como uma convulsão, e perdeu o controle de suas faculdades mentais e motoras. O incidente causou mudanças bruscas de direção no turboélice De Havilland Q400, operado pela parceira regional PAL Airlines.

Para evitar um acidente, o copiloto assumiu imediatamente os comandos da aeronave. Na cabine de passageiros, comissários de bordo arrastaram o comandante para o corredor, onde ele se debatia com violência e chutava as poltronas. Um grupo de passageiros precisou imobilizá-lo no chão usando cintos de segurança, em um esforço de contenção que durou cerca de 40 minutos até o pouso no Aeroporto Internacional Logan, em Boston.


Pânico a bordo e intervenção



O passageiro Rodney MacDonald, que viajava com a esposa e dois filhos, relatou o desespero de quem estava a bordo. Ele percebeu a gravidade do problema quando o avião deu guinadas bruscas, primeiro para a esquerda e depois para a direita. "Achei que alguém tinha soltado os controles e começamos a rezar", relatou MacDonald em entrevista à rede de televisão norte-americana ABC News.

A situação na área de passageiros exigiu força física concentrada. Quatro homens ajudaram os tripulantes a segurar os braços, pernas e tronco do comandante em surto. Uma enfermeira que viajava no mesmo voo interveio e assumiu a orientação dos procedimentos de emergência, enquanto a aeronave, com 61 pessoas a bordo, iniciava a descida de segurança.

A Air Canada confirmou o desvio da rota e comunicou oficialmente que a remoção do piloto da cabine seguiu os protocolos de segurança exigidos para aviação. Equipes de resgate e paramédicos aguardavam o avião na pista em Boston e encaminharam o comandante ao Hospital Geral de Massachusetts. A companhia aérea realocou as famílias afetadas em uma aeronave reserva para concluir o trajeto até Halifax no mesmo dia.


Contenção contraria recomendações médicas


O esforço dramático para imobilizar o piloto evitou danos físicos aos ocupantes do voo, mas especialistas médicos levantam restrições sobre a manobra. Órgãos de saúde globais, incluindo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, alertam que conter uma pessoa em crise convulsiva apresenta altos riscos. A imposição de força contra movimentos articulares involuntários costuma provocar fraturas ósseas ou rompimentos musculares no paciente.

A diretriz médica de primeiros socorros estabelece o isolamento do local, a remoção de objetos pontiagudos e o posicionamento da vítima de lado para evitar asfixia com fluidos. Tentativas de abrir a boca do paciente ou de oferecer líquidos também configuram negligência durante a ocorrência. No caso do voo AC7664, as ações ocorreram em um ambiente limítrofe e pautado pelo medo, diante da força bruta do comandante em espaço confinado.

Até o fechamento desta reportagem, a Air Canada e a direção do hospital de Boston não liberaram boletins médicos sobre a recuperação do piloto. O diagnóstico exato que desencadeou o colapso nervoso e motor permanece protegido por sigilo de saúde. A administração aeroportuária não registrou nenhum ferimento entre os 61 passageiros ou os membros da tripulação.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:


Nota: O teor exato das condições de saúde e de renovação da licença de voo do comandante fica sob deliberação da companhia aérea.

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