Passagens aéreas devem levar até um ano para cair no Brasil, afirma CEO da Latam
- Marcelo Bueno

- 27 de jun.
- 2 min de leitura
Jerome Cadier aponta que a queda internacional do petróleo não atingiu o querosene de aviação e diz que o setor depende do aumento de renda da população.

Os passageiros brasileiros terão que esperar entre seis meses e um ano para sentir no bolso uma queda real nos preços das passagens aéreas. A previsão é do CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier. Durante entrevista ao portal UOL nesta semana, o executivo cortou as expectativas de que a recente desvalorização internacional do petróleo traga alívio imediato às tarifas.
O barril de petróleo tipo Brent opera abaixo de US$ 80, puxado por ajustes no mercado global e pelo tráfego no Estreito de Ormuz. Essa baixa, no entanto, não chegou ao Querosene de Aviação (QAV). O combustível responde pela maior fatia de despesas das companhias aéreas e acumula altas consecutivas desde janeiro.
Pressão nas refinarias
A matemática tarifária esbarra em gargalos severos de produção. Cadier explicou que as refinarias operam hoje no limite de sua capacidade. Os conflitos no Oriente Médio, com destaque para as fricções envolvendo o Irã, também estressam a cadeia de suprimentos e encarecem o custo de refino e transporte.
Os preços cobrados antes da crise armada não devem retornar ao painel das companhias tão cedo. A Petrobras até anunciou um pequeno corte no preço do QAV no início de junho deste ano. A medida, contudo, falhou em reverter a curva de alta acumulada ao longo dos primeiros meses de 2026.
O fator renda no Brasil
O barateamento das tarifas resolve apenas parte do problema de demanda no país. O crescimento sustentável da aviação comercial brasileira depende diretamente do poder de compra da população. "A questão é que no Brasil a renda é baixa", pontuou o CEO.
O executivo vê com bons olhos propostas de impacto direto no bolso do trabalhador. Ele usou como exemplo o projeto governamental de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil mensais. O aumento da renda disponível, segundo Cadier, funciona como o principal motor para lotar aeronaves.
Hoje, a base de clientes regulares do transporte aéreo no Brasil estaciona na marca de 20 milhões de pessoas. A Latam avalia que o país possui fôlego financeiro e demográfico para dobrar esse número. Isso só ocorrerá, segundo a companhia, quando as condições macroeconômicas destravarem o orçamento das famílias.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
(Portal Panrotas, Passagens aéreas podem levar até um ano para ficar mais baratas, diz CEO da Latam, Filip Calixto, https://www.panrotas.com.br/aviacao/empresas/2026/06/passagens-aereas-podem-levar-ate-um-ano-para-ficar-mais-baratas-diz-ceo-da-latam_229733.html)
(Portal UOL, Entrevista Exclusiva com Jerome Cadier, Redação UOL)
(TurisNews, CEO da Latam prevê que passagens aéreas devem ficar mais baratas em até um ano, Redação TurisNews, https://turisnews.com.br/ceo-da-latam-preve-que-passagens-aereas-devem-ficar-mais-baratas-em-ate-um-ano/)
Nota: Os dados precisos sobre a proporção exata do custo do QAV no balanço atualizado da Latam não foram detalhados na entrevista. As projeções de queda tarifária representam a avaliação interna da diretoria da empresa e não garantem reduções fixadas após o prazo estipulado.



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