Presidente da Fifa usa jato particular em 27 voos para assistir a 24 jogos da Copa
- Marcelo Bueno

- 30 de jun.
- 3 min de leitura
Gianni Infantino percorreu mais de 50 mil quilômetros em 15 dias, gerando um impacto climático equivalente ao de 78 pessoas durante um ano inteiro.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, realizou 27 viagens em um jato particular durante as duas primeiras semanas da Copa do Mundo de 2026. A maratona aérea serviu para que o dirigente assistisse a 24 partidas do torneio sediado em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México.
Dados de rastreamento de voos compilados pela BBC Verify revelam que a aeronave passou mais de 66 horas no ar. O modelo utilizado, um Gulfstream G650ER, consumiu cerca de 1.817 litros de combustível por hora, resultando na emissão de centenas de toneladas de gás carbônico na atmosfera.
Rotas extremas e contradição ambiental
Infantino cruzou o continente repetidas vezes para comparecer a dois jogos no mesmo dia. A viagem mais longa ocorreu em 13 de junho. O dirigente voou 4.507 quilômetros entre Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, logo após o confronto entre Austrália e Turquia.
O rastreamento também flagrou rotas ultracurtas. No dia 22 de junho, o jato percorreu apenas 148 quilômetros da Filadélfia até Nova Jersey. O deslocamento não envolveu partidas de futebol. O presidente da Fifa viajou para conceder uma entrevista matinal a um estúdio de televisão em Nova York antes de seguir para outros estádios.
A postura de Infantino atrai duras críticas de ambientalistas e colide com as promessas da própria entidade. A estratégia oficial de sustentabilidade da Fifa para o Mundial de 2026 prevê o corte de 50% das emissões até 2030. Pesquisadores apontam o uso de jatos executivos como o meio de transporte mais intensivo em carbono do mundo.
Silêncio oficial e repercussão
A Fifa não detalhou os custos da operação ou a lotação exata da aeronave. Em resposta a jornalistas, a organização limitou-se a afirmar que o dirigente viaja com autoridades oficiais para tratar de negócios e que escolhe o transporte mais eficiente para as circunstâncias. A entidade não confirmou se aplica medidas de compensação ambiental para esses trajetos específicos.
Ativistas climáticos ressaltam a ironia entre o discurso público da Fifa e a prática de seu líder. O pesquisador Freddie Daley, da Universidade de Sussex, declarou que o comportamento de Infantino reflete as falhas da organização na área de sustentabilidade. Veículos de imprensa de diversos países lembraram da ativista Greta Thunberg, que protesta sistematicamente contra a poluição da aviação, ao noticiarem os voos do cartola.
O episódio distancia a edição de 2026 do Mundial anterior. No Catar, em 2022, todos os 64 jogos ocorreram em oito estádios separados por, no máximo, uma hora de carro. A logística reduziu drasticamente a pegada de carbono dos deslocamentos internos do alto escalão do futebol mundial.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
(Notícias R7, Presidente da Fifa faz 27 voos em duas semanas de Copa e é criticado por impacto climático, Luiz Fara Monteiro, https://noticias.r7.com/prisma/luiz-fara-monteiro/presidente-da-fifa-faz-27-voos-para-assistir-24-jogos-e-e-criticado-por-impacto-climatico-das-viagens-29062026/)
(BBC Sport / Daily Mirror, FIFA head flying and flying, Redação, https://www.dailymirror.lk/sports/FIFA-head-flying-and-flying/244-344234)
(The Mary Sue, FIFA President Gianni Infantino Is Preaching Sustainability While Racking up a Massive Carbon Footprint on a Private Jet, Redação, https://www.themarysue.com/fifa-president-gianni-infantino-is-preaching-sustainability-while-racking-up-a-massive-carbon-footprint-on-a-private-jet/)
Nota: A informação sobre quem arcou com as despesas exatas do jato particular corre de forma extraoficial na imprensa internacional, apontando para acordos de patrocínio (como a Qatar Airways) ou orçamento interno próprio. Até o momento, a Fifa não abriu os valores exatos da operação aérea.



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