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Setor aéreo exige que União Europeia suspenda novo sistema de fronteiras para evitar caos no verão

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 2 de jul.
  • 3 min de leitura

Associações de companhias aéreas e aeroportos pedem mecanismo de flexibilidade imediata após registros de filas de até cinco horas na Europa.



As principais associações de aeroportos e companhias aéreas da Europa cobraram da Comissão Europeia, nesta quarta-feira (1º), a suspensão temporária do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) durante o pico do verão no hemisfério norte. O apelo tenta frear o impacto de longas filas de controle de passaportes, que já causam atrasos em massa nos voos continentais.

O Conselho Internacional de Aeroportos da Europa (ACI Europe) e a Airlines for Europe (A4E) enviaram uma carta aberta alertando para consequências operacionais severas. O documento relata esperas de até cinco horas nas fronteiras desde a implementação total do sistema biométrico, em abril de 2026. Os representantes do setor temem o agravamento do cenário com o trânsito extra de 40 milhões de passageiros previsto para julho e agosto.


Tecnologia falha e aviões vazios


O EES exige o cadastro de dados biométricos — impressões digitais e fotos faciais — de viajantes de fora da União Europeia. O processo substitui o carimbo físico e deveria acelerar o controle migratório nos 29 países do Espaço Schengen. A realidade nos terminais, no entanto, expõe problemas técnicos contínuos. Gestores aeroportuários relatam falhas constantes nos quiosques de autoatendimento, forçando os passageiros a recomeçar o cadastro do zero.

Com o atraso no controle de fronteira, as companhias aéreas lidam com um efeito dominó direto na pista. Diversos voos correm o risco de encerrar o embarque com os aviões meio vazios porque os clientes continuam presos na triagem policial. A situação afeta não apenas os grandes hubs europeus, mas cria um gargalo que atinge aeroportos fora do bloco, como em Londres e Istambul.

A solução proposta pelo setor é a criação de um mecanismo permanente e oficial de flexibilidade operacional. A regra permitiria que as autoridades de fronteira interrompessem a coleta biométrica sempre que o volume de viajantes ultrapassasse a capacidade das instalações. Nestes casos emergenciais, os agentes voltariam a aplicar a checagem manual de documentos.



Divergência e ações unilaterais


A Comissão Europeia diverge das empresas e defende a eficácia técnica do novo sistema de segurança. Um porta-voz do órgão afirmou recentemente que o EES funciona bem e atribuiu os congestionamentos a fatores pré-existentes. A União Europeia culpa a escassez crônica de funcionários nos aeroportos e a concentração excessiva de voos em horários muito próximos.

O órgão europeu lembra que a legislação atual já prevê ferramentas de flexibilidade para aliviar a pressão nas fronteiras, válidas até o início de setembro. As associações, no entanto, rebatem dizendo que os cronogramas de voos são conhecidos com um ano de antecedência. Elas argumentam que o sucesso do sistema não pode ser medido apenas pela tecnologia, mas pela sua capacidade real de funcionar no ambiente operacional.

A pressão local já tem forçado administrações a tomarem medidas isoladas para contornar a crise. Aeroportos na Grécia já liberaram alguns cidadãos britânicos do controle rigoroso do EES nas últimas semanas. Na Itália, o diretor executivo da Aeroporti di Roma, Marco Troncone, indicou nos últimos dias que planeja suspender o sistema biométrico para evitar um colapso nos terminais da capital durante a alta temporada.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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