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United Airlines demite comissários por vender voo

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 28 de jul.
  • 2 min de leitura

O mesmo esquema já tinha derrubado 28 comissários em 2020, e uma das demitidas daquela leva ainda processa a empresa por discriminação de idade.


Unsplash
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Você já deve ter visto isso num grupo de tripulação: alguém oferecendo uma viagem internacional "de presente" pra quem topar assumir a escala. Parece favor entre colegas. Para a United Airlines, virou motivo de demissão em massa.

A companhia está demitindo comissários de bordo veteranos acusados de "trip parking": usar a antiguidade para arrematar, no bid mensal, voos internacionais cobiçados e datas de feriado sem nenhuma intenção de voar, e depois repassar essas viagens a colegas juniores em troca de dinheiro ou presentes. O caso ganhou repercussão internacional em 21 e 22 de julho de 2026, quando veículos especializados em aviação publicaram, quase ao mesmo tempo, que a onda de demissões disparou dentro da empresa e que o sindicato decidiu contestar caso a caso.


Como funcionava o esquema


Imagem gerada por IA
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Segundo apuração dos veículos que acompanham o caso, as negociações aconteciam em chats privados entre a tripulação. O pagamento pela viagem aparecia disfarçado em código: palavras como "cookies", "hugs" e "kisses" no lugar de valores em dinheiro. Até o fechamento desta matéria, a United não havia confirmado quantos comissários foram desligados nesta nova rodada.

Não é a primeira vez que a companhia bate de frente com essa prática. Em 2020, a United já havia demitido 28 comissários veteranos pelo mesmo motivo. Uma delas, Anna Palova, processou a empresa por discriminação por idade, alegando que a punição recaiu de forma desproporcional sobre quem tem mais tempo de casa. O processo segue em andamento.


Por que o sindicato está brigando


A AFA-CWA, que representa os comissários da United, prometeu contestar cada demissão e pedir reintegração. O argumento do sindicato é direto: a flexibilidade de trocar voos e folgas foi conquistada em negociação coletiva, e demitir em bloco por um uso que a empresa tolerou por anos muda a regra no meio do combinado.

O ponto que separa as duas visões é sutil, mas decide o caso. Trocar escala com um colega é rotina. Transformar a antiguidade num negócio paralelo, vendendo o que a empresa concede como benefício, é outra coisa.


Isso pode acontecer no Brasil?


A régua vale igual por aqui. Permuta de voo é prática legítima e comum entre tripulantes, prevista nos acordos das companhias. Vender escala, cobrar por uma troca ou usar antiguidade como moeda é falta grave, e pode virar justa causa.

Para quem está entrando na carreira agora, o caso da United é um lembrete útil: a antiguidade e o acesso a voos melhores vêm com o tempo, mas as regras de como usar isso não são negociáveis por fora. Companhia nenhuma, aqui ou lá fora, costuma abrir exceção quando o assunto é dinheiro trocando de mão à revelia do sistema oficial.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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