WestJet: 4.400 comissários dão aviso de greve
- Marcelo Bueno

- 31 de jul.
- 3 min de leitura
Trinta e cinco horas por mês trabalhando de graça. É essa a conta que está prestes a parar uma das maiores companhias aéreas do Canadá.
O CUPE, sindicato que representa cerca de 4.400 comissários de bordo da WestJet, protocolou em 30 de julho de 2026 o aviso de greve de 72 horas. No mesmo dia, a companhia respondeu com um aviso de lockout, o bloqueio patronal, formalizando que também pode barrar os trabalhadores. Se não houver acordo até 2 de agosto às 00h01 no horário das Montanhas, a operação para e passageiros ficam em terra já no domingo.
O que mudou desde a semana passada

Na edição anterior aqui do blog, o quadro era outro: a WestJet e o sindicato tinham acabado de assinar um plano de imobilização ordenada da frota, o prazo do aviso legal ainda estava correndo e nenhuma notificação havia sido protocolada.
Agora o aviso saiu e a empresa devolveu na mesma moeda. Até o dia 30 nenhum voo havia sido cancelado e os dois lados diziam estar negociando ativamente. O sindicato afirmou que ainda há tempo de evitar a paralisação, mas admitiu publicamente que as partes seguem muito distantes.
O CEO da WestJet, Alexis von Hoensbroech, declarou que a decisão do lockout não foi tomada de forma leviana e que a medida busca minimizar o risco de deixar passageiros, tripulação e aeronaves presos fora de base. Para os clientes, a companhia liberou uma alteração ou cancelamento sem taxa, uma única vez, para reservas com viagem entre 30 de julho e 4 de agosto.
O motivo da briga: trabalho de solo não pago
O centro da disputa é o sistema de credit hours. Na prática, o relógio do comissário canadense só começa a contar quando a porta da aeronave fecha.
Embarque de passageiro? Não conta. Atraso em solo? Não conta. Espera de conexão de aeronave? Não conta. O CUPE estima que esse desenho deixa cerca de 35 horas de trabalho por mês sem remuneração, e é exatamente esse ponto que travou a negociação.
O que é o Lockout?
Lockout é a empresa formalizando que pode impedir o funcionário de trabalhar, como contrapeso à greve. É ferramenta comum em legislações norte-americanas e praticamente ausente do vocabulário sindical aeronáutico brasileiro, onde a lógica passa por assembleia, negociação coletiva e, quando trava, pela Justiça do Trabalho.
Ver os dois avisos saírem no mesmo dia diz muito sobre o clima: não é negociação, é queda de braço.
O checklist antes de assinar contrato fora do país
Se voar no exterior está nos seus planos, essas quatro perguntas valem mais do que qualquer comparativo de salário:
Como é contada e paga a hora de solo e o tempo de apresentação? Existe pagamento específico pelo período de embarque, o chamado boarding pay? Qual é a garantia mínima mensal de horas pagas? Como a empresa remunera atraso prolongado e cancelamento?
Pergunte antes. Depois da assinatura, a resposta já não muda nada.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
Global News, "WestJet flight attendants give 72-hour strike notice, airline issues lockout", 30/07/2026, https://globalnews.ca/news/12002659/westjet-flight-attendants-strike-notice/
CTV News, "WestJet flight attendants' union serves airline 72-hour strike notice", 30/07/2026, https://www.ctvnews.ca/canada/article/westjet-flight-attendants-union-serves-airline-72-hour-strike-notice/
AirlineGeeks, "WestJet Flight Attendants Issue 72-Hour Strike Warning", 30/07/2026, https://airlinegeeks.com/2026/07/30/westjet-flight-attendants-issue-72-hour-strike-warning/
Paddle Your Own Kanoo, "WestJet Flight Attendants Issue 72-Hour Strike Notice in Raging Dispute Over Crew Working For Free", 30/07/2026, https://www.paddleyourownkanoo.com/2026/07/30/westjet-flight-attendants-issue-72-hour-strike-notice-in-raging-dispute-over-crew-working-for-free/



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