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WestJet: comissários encerram greve histórica no Canadá

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 5 de ago.
  • 4 min de leitura

A WestJet, segunda maior companhia aérea do Canadá, fechou um acordo provisório com o sindicato dos seus comissários de bordo no dia 3 de agosto de 2026, um dia depois do início de uma greve que já vinha cancelando voos aos montes. A paralisação começou em 2 de agosto, bem no feriado prolongado que os canadenses chamam de Civic Holiday, e envolveu cerca de 4.400 comissários representados pelo sindicato CUPE.


Imagem ilustrativa gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA

No total, 615 voos foram cancelados até o dia 4 de agosto, afetando aproximadamente 250 mil passageiros, segundo dados divulgados pela própria WestJet e pelo CUPE. O centro da disputa não foi o valor da hora de voo, e sim o pagamento do tempo em solo: check-in, embarque e os procedimentos que cercam cada decolagem e pouso, historicamente fora da conta na remuneração da tripulação.


O essencial em 30 segundos


  • A greve começou em 2 de agosto de 2026 e envolveu cerca de 4.400 comissários da WestJet, representados pelo sindicato CUPE Local 8125.

  • Foram 615 voos cancelados até 4 de agosto, com aproximadamente 250 mil passageiros afetados.

  • O acordo provisório, fechado em 3 de agosto, cria um "duty period premium", pagamento específico para o tempo em solo, que antes não era remunerado.

  • Os termos financeiros exatos do acordo fechado não haviam sido divulgados publicamente até 5 de agosto, data de fechamento desta apuração.

  • Falta a votação de ratificação pelos membros do CUPE Local 8125, com prazo de até 30 dias e sem data confirmada até 5 de agosto.


Como a greve começou, e por que escalou tão rápido


Mais de 300 voos já tinham sido cancelados antes mesmo do início oficial da greve, puro efeito da tensão na negociação. Quando a paralisação começou de fato, no feriado de verão de maior movimento no calendário canadense, o número de cancelamentos disparou até chegar aos 615 registrados em 4 de agosto. A companhia e o sindicato CUPE Local 8125 retomaram as conversas sob pressão máxima: fim de semana prolongado, aeroportos cheios e opinião pública observando de perto.

O acordo provisório saiu rápido, fechado em 3 de agosto, um dia depois do início oficial da greve. Com ele, os avisos de greve e de lockout foram retirados dos dois lados, e as operações da WestJet voltaram ao normal.


O que estava em disputa: o pagamento do tempo em solo


A reivindicação central dos comissários não é exclusividade do Canadá. Historicamente, em várias companhias aéreas do mundo, o comissário só recebe pelas horas em que o avião está de fato no ar. O tempo de check-in da tripulação, o embarque de passageiros, a organização da cabine antes da decolagem e os procedimentos depois do pouso ficavam fora da remuneração, mesmo sendo parte essencial da rotina de trabalho.

É essa lacuna que o sindicato CUPE levou para a mesa de negociação, sob o nome que a categoria usa para esse tipo de reivindicação: "boarding pay" ou "duty period premium", um adicional que remunera o tempo total de serviço, e não só o tempo voando. A disputa da WestJet ecoa um movimento mais amplo dentro da aviação: nos Estados Unidos, o sindicato AFA-CWA fez campanha pública pelo mesmo tipo de pagamento nos últimos anos, e companhias como American Airlines e Alaska Airlines passaram a remunerar parte do tempo de embarque depois dessa pressão.


O que o acordo provisório muda, e o que ainda não se sabe


Segundo o comunicado conjunto de WestJet e CUPE, o acordo fechado em 3 de agosto introduz um "duty period premium": um novo item que passa a reconhecer o trabalho realizado em solo, além de reajustes gerais de compensação para a categoria. É a primeira vez que esse item aparece formalmente na negociação entre as partes.

O que se sabe, oficialmente, é a existência do novo adicional; os percentuais e valores específicos que ele representa no contracheque de cada comissário ainda não vieram a público.


Qual era a proposta da WestJet antes do acordo fechado


Antes desse acordo provisório, a proposta que a WestJet havia colocado publicamente na mesa de negociação prometia 13% de reajuste a partir de outubro de 2026, mais 2,5% ao ano até 2029, um prêmio de turno de 12% e uma contribuição de 300 dólares canadenses por ano para uma conta de saúde dos comissários. É importante separar as duas coisas: esses eram os números da proposta anterior ao acordo, não necessariamente os termos do que foi de fato assinado no dia 3 de agosto. Até agora, a WestJet e o CUPE não confirmaram se esses percentuais se mantiveram, mudaram ou foram substituídos por outra estrutura de reajuste dentro do pacote final.


O próximo passo: a votação de ratificação


O acordo provisório encerra a greve, mas não fecha o capítulo. Falta a etapa decisiva: a votação de ratificação pelos cerca de 4.400 membros do CUPE Local 8125, que precisa ocorrer dentro de um prazo de até 30 dias a partir do acordo.

Enquanto a ratificação não acontece, o acordo segue provisório, e a possibilidade de a categoria rejeitar os termos nas urnas, reabrindo a negociação, ainda está sobre a mesa. As operações da companhia seguem normalizadas desde 3 de agosto, mas o desfecho definitivo da disputa só vem com o resultado da votação.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

WestJet, "WestJet and CUPE reach tentative agreement, ending further operational disruption", comunicado oficial, 3 de agosto de 2026 (westjet.mediaroom.com).

CUPE, "WestJet mainline flight attendants reach tentative agreement", nota oficial do sindicato (cupe.ca).

AeroTime, "WestJet strike ends: tentative agreement with cabin crew", reportagem (aerotime.aero).

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