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WestJet: greve de comissários pode começar no domingo

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 30 de jul.
  • 3 min de leitura

Trinta e cinco horas por mês. É esse o número que pode parar a segunda maior companhia aérea do Canadá no domingo. Trinta e cinco horas de trabalho que o comissário faz e não recebe.


Foto: Unsplash
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A WestJet e o CUPE Local 8125, sindicato que representa cerca de 4.400 comissários de bordo, assinaram em 29 de julho de 2026 um acordo de operational wind-down. É o plano formal que descreve como as aeronaves seriam imobilizadas com segurança e como as tripulações voltariam para casa caso comece uma greve ou um lockout. A paralisação pode começar já no domingo, 2 de agosto.


Por que a data de hoje importa


A lei canadense exige aviso prévio de 72 horas antes de qualquer paralisação. Fazendo a conta para trás, a data limite para o sindicato protocolar esse aviso e ainda parar no domingo é 30 de julho, ou seja, hoje. Até 27 de julho nenhum aviso havia sido protocolado, segundo apuração do Travel Market Report.

Assinar o plano de imobilização antes disso não é detalhe burocrático. É o sinal de que os dois lados já estão organizando o cenário de parada. O sindicato declarou que o objetivo do acordo é trazer de volta o maior número possível de tripulantes e passageiros antes do prazo expirar.


Um mandato de 99,4%


Imagem ilustrativa gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA

Em 15 de julho, a categoria aprovou o mandato de greve com 99,4% dos votos favoráveis e participação de 97,3%. Coesão nesse patamar é rara em qualquer profissão do mundo, e diz mais sobre o esgotamento da categoria do que qualquer manchete.

Do outro lado da mesa, a WestJet declarou estar ativamente engajada nas negociações e preparada para fazer melhorias significativas, equilibrando isso com a sustentabilidade futura da empresa. A companhia se disse otimista.


O que está em disputa de verdade


Não é bônus, não é folga extra. É o trabalho de solo não remunerado. Os comissários da WestJet não recebem pelo tempo de embarque, pelos procedimentos de segurança antes de fechar a porta, pelo briefing nem pelos atrasos na base. O CUPE estima que isso soma cerca de 35 horas de trabalho não pago por comissário, por mês.

O sindicato também contesta o sistema de flight credits, que considera ultrapassado, e cobra reajuste salarial, argumentando que os comissários da empresa estão entre os piores pagos da indústria.

E existe um precedente que está no centro da negociação. Os comissários da Air Canada conquistaram, depois da própria greve em 2025, o pagamento pelo trabalho de solo: 50% do valor da hora no primeiro ano, subindo até 70% no último ano do contrato.


Quem sente o impacto


Cerca de 75 mil passageiros por dia podem ser afetados se a greve começar. As regras canadenses de proteção ao consumidor determinam que quem tiver voo cancelado antes da paralisação pode ser reacomodado gratuitamente em qualquer companhia aérea, não só na WestJet, e a empresa pode dever até mil dólares canadenses em dinheiro pelo transtorno. A orientação de especialistas é esperar o cancelamento oficial antes de tomar qualquer atitude por conta própria.

O calendário aperta ainda mais porque a Jazz Aviation, do grupo Air Canada, também enfrenta prazo de greve em agosto de 2026.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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