Crise global de motores aterra 60 aviões da Azul, Latam e Gol e gera prejuízo bilionário
- Marcelo Bueno

- 5 de jul.
- 2 min de leitura
Falhas crônicas de manutenção em turbinas de nova geração paralisam 12% da frota nacional e empurram aéreas para disputa por crédito do governo.

O apagão mundial na cadeia de manutenção aeronáutica atingiu em cheio os hangares brasileiros. Azul, Latam e Gol acumulam hoje 60 aviões impedidos de decolar, todos à espera de reparos em motores que operam muito abaixo do tempo de vida útil prometido pelas fabricantes. O volume de aeronaves inoperantes representa cerca de 12% da capacidade somada das três companhias que dominam o mercado nacional.
O gargalo se concentra nos motores Leap e GTF, projetados para modelos de alta demanda como o Airbus A320neo e o Boeing 737 MAX. Uma década após o lançamento, esses equipamentos ainda sofrem com falhas de amadurecimento tecnológico. O reflexo nas contas das companhias aéreas pelo mundo chega a US$ 11 bilhões em perdas estimadas pela Iata, agravando um cenário que mistura escassez de mecânicos e alta de custos.
Impacto direto nas frotas brasileiras
A Azul concentra o maior estrago operacional até o momento, mantendo 37 jatos aterrados, o que equivale a 22% de sua frota. Na Gol, a indisponibilidade bate a marca de 10 aviões parados de um total de 146. A Latam não detalhou os números de sua malha interna paralisada, mas o mercado atribui à empresa as 13 unidades restantes.
Sem previsão rápida de entrega por parte das oficinas autorizadas, os reparos que levavam 120 dias agora amargam filas de até 300 dias. Essa demora asfixia a oferta de assentos justamente quando a aviação brasileira registra a marca recorde de 60 milhões de passageiros entre janeiro e maio de 2026. Para tentar conter a sangria financeira, o trio de empresas cobra do governo federal o acesso a uma linha de crédito emergencial de R$ 5,5 bilhões do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC).
Fabricantes e gargalos globais
No epicentro do problema estão a Pratt & Whitney e a CFM International, consórcios responsáveis pelos motores afetados. Em março de 2025, o pico da crise deixou 648 jatos comerciais no chão em todo o planeta, ou 28% da frota mundial dependente da linha GTF. Hoje o índice recuou para 23%, mas analistas da indústria preveem nova piora diante da incapacidade das fábricas de atenderem à demanda acumulada.
O déficit crônico de técnicos agrava o estrangulamento da cadeia de suprimentos mundial. Até o fechamento desta edição, a Pratt & Whitney não respondeu às cobranças da imprensa sobre as falhas no Brasil. A CFM International informou via nota que realiza investimentos bilionários para reduzir o custo total das operações e aumentar a durabilidade dos motores.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
(Times Brasil | CNBC, "Crise global de motores gera prejuízo bilionário ao setor com aeronaves paradas; Azul, Latam e Gol também são afetadas", Allan Ravagnani, https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/aviacao/crise-motores-latam-azul-gol/)
(Estadão, "Latam - Tudo Sobre", Redação, https://www.estadao.com.br/tudo-sobre/latam/)
(Diario do Centro do Mundo, "Azul, Latam e Gol deixam cerca de 60 aviões no chão em crise global de motores", Redação, https://www.diariodocentrodomundo.com.br/azul-latam-gol-avioesparados-crise-global-motores/)
(AeroCopilot, "Escassez de Mecânicos Ameaça a Aviação Mundial em 2026", Redação, https://www.aerocopilot.ia.br/noticias-aviacao/escassez-mecanicos-aviacao-crise-silenciosa-2026)



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