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GOL Ushuaia: voo volta a Guarulhos após 6 horas no ar

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 30 de jul.
  • 3 min de leitura

Aconteceu na terça-feira, 28 de julho de 2026, no voo G37176 da GOL, de Guarulhos para Ushuaia, operado pelo Boeing 737 MAX 8 de matrícula PS-GRC. Com a aeronave já na metade do trajeto, sobrevoando as proximidades de Bahía Blanca, na costa argentina, o voo deu meia-volta e retornou ao aeroporto de origem, onde pousou às 15h36, seis horas e três minutos depois de decolar.


O que se sabe e o que não se sabe


Foto: Unsplash
Foto: Unsplash

A causa não foi confirmada. Até o fechamento desta matéria, a GOL não havia divulgado posicionamento sobre o motivo específico do retorno.

Não houve emergência declarada nem registro de feridos.

Uma segunda aeronave, de matrícula PR-XML, foi escalada para refazer o voo. Decolou às 18h40 e pousou em Ushuaia às 00h05 da madrugada de quarta-feira, nove horas depois do horário programado de chegada.


Uma rota nova e um destino difícil


A GOL inaugurou o voo direto Guarulhos para Ushuaia em julho de 2026, com três frequências semanais, às terças, quintas e sábados, programado para decolar às 09h10 e pousar às 15h05, operando até 29 de agosto. O voo de volta é o G37177. O trajeto normal leva cerca de 5h30.

Ushuaia é a cidade mais austral do mundo. Destino de neve em alta temporada, com aproximação difícil, ventos patagônicos e clima severo. Rota nova em cenário desses é teste de fogo para qualquer operação.


O que é um air turn back


Imagem ilustrativa gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA

O nome técnico do que pode ter acontecido é air turn back. A aeronave já está em rota e decide voltar para o aeroporto de partida, em vez de seguir ao destino ou alternar para um aeroporto mais próximo.

Não confunda com arremetida, que acontece na hora do pouso, nem com pouso de emergência com Pan-Pan ou Mayday. Air turn back é decisão conservadora.

A lógica é simples quando você conhece o bastidor: na dúvida, você volta para onde tem base própria, manutenção pesada, engenharia e estoque de peça de reposição. Em Ushuaia a GOL não tem essa estrutura. Em Guarulhos, que é o principal hub da companhia, tem tudo.


A engenharia invisível da escala


Quando o PS-GRC pousou às 15h36, aquela tripulação já acumulava mais de oito horas de jornada, contando desde a apresentação antes da decolagem, que aconteceu por volta das 09h30.

A tripulação que operou o segundo voo, às 18h40, muito provavelmente não era a mesma. A Lei 13.475/2017 e o RBAC 117 limitam jornada e exigem tempo mínimo de repouso, e nenhuma tripulação que voou seis horas volta a decolar três horas depois para fazer outras cinco e meia.

Alguém na central de operações teve que acionar a tripulação de reserva, chamar às pressas, fazer briefing correndo e conferir documentação para voo internacional. É para isso que a escala de reserva existe. Imagino que a tripulação que provavelmente iria pernoitar em Ushuaia não deva ter ficado muito contente com essa situação.


Quais os direitos do passageiro


Em atraso longo, a Resolução 400 da Anac define as faixas. A partir de uma hora, a companhia deve garantir facilidades de comunicação. A partir de duas, assistência material com alimentação. A partir de quatro, acomodação e transporte.

Em um atraso de nove horas como esse, o passageiro também tinha direito de optar por reembolso integral ou reacomodação em outro voo.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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