LATAM tem lucro 53% menor no 2T26 e mantém contratações
- Marcelo Bueno

- 6 de ago.
- 4 min de leitura
Enquanto o combustível corroía o resultado da LATAM neste trimestre, a companhia estava, ao mesmo tempo, assinando a contratação de mais um comissário de bordono Brasil. Então o que se sabe sobre as questões financeiras da empresa?

No segundo trimestre de 2026, a LATAM Airlines registrou receita consolidada entre US$ 4,1 bilhões e US$ 4,2 bilhões, crescimento de 27% sobre o mesmo período do ano passado. O lucro líquido, porém, foi de US$ 125 milhões, queda de aproximadamente 53% na comparação anual. O lucro operacional recuou 49,4%, para US$ 218,3 milhões. O motivo apontado pela própria companhia é o custo do combustível, que subiu 93,1% frente ao segundo trimestre de 2025 e tirou sozinho mais de US$ 800 milhões do resultado do trimestre.
O essencial em 30 segundos
O lucro líquido da LATAM caiu 53% no 2T26, para US$ 125 milhões, mesmo com a receita crescendo 27%.
O combustível ficou 93,1% mais caro na comparação anual e consumiu mais de US$ 800 milhões só neste trimestre.
Apesar da queda, a LATAM elevou a projeção de EBITDA ajustado de 2026 para US$ 4,1 bilhões a US$ 4,4 bilhões (ante US$ 3,8 a 4,2 bilhões projetados em maio).
A companhia confirmou a operação comercial de até 14 Embraer E195-E2 (de 24 encomendados) entre novembro de 2026 e março de 2027, em 42 rotas domésticas e 67 cidades brasileiras.
No 1º semestre de 2026, a LATAM contratou 3.000 profissionais no Brasil, incluindo 240 pilotos e 600 comissários de bordo, e o processo seletivo continua.
Por que o lucro caiu tanto com a receita subindo
A conta é direta: a LATAM vendeu mais assento, voou mais, faturou mais, e ainda assim ganhou bem menos dinheiro. O culpado, segundo a própria companhia, foi o preço do querosene de aviação no mercado internacional. Um salto de 93,1% em um único ano é um choque de custo que nenhuma companhia aérea consegue repassar por completo ao preço da passagem sem perder competitividade, e a LATAM optou por absorver parte desse impacto no resultado em vez de reajustar tarifas na mesma proporção.
O lucro operacional, que mede o resultado da operação antes de itens financeiros, também sentiu: caiu 49,4% frente ao segundo trimestre de 2025, para US$ 218,3 milhões. É um recuo praticamente equivalente ao do lucro líquido, o que reforça que a origem do problema está mesmo na operação (no custo de voar), e não em alguma questão financeira ou cambial isolada.
Por que a LATAM elevou a projeção mesmo assim
Aqui está o ponto que chama atenção de quem acompanha o setor: um trimestre com lucro pela metade normalmente vem acompanhado de projeção revista para baixo. A LATAM fez o oposto. A companhia elevou a estimativa de EBITDA ajustado para 2026, que passou a ser de US$ 4,1 bilhões a US$ 4,4 bilhões, faixa acima da projeção de US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões que a própria empresa havia divulgado em maio.
A leitura da companhia é que o aperto do combustível é um fator externo e conjuntural, ligado ao mercado internacional de petróleo, enquanto a demanda por voos segue firme e a operação segue crescendo. É essa combinação, receita em alta e confiança na demanda, que sustenta a projeção revisada para cima, mesmo com o trimestre fechando no vermelho relativo ao ano anterior.
O que muda com a chegada do Embraer E195-E2
A LATAM confirmou que até 14 aeronaves Embraer E195-E2, de um total de 24 encomendadas, entram em operação comercial entre novembro de 2026 e março de 2027. Essas aeronaves vão operar 42 rotas domésticas, cobrindo 67 cidades brasileiras, o que a companhia descreve como a maior malha doméstica de sua história.
Entre os destinos, quatro são novos no mapa da companhia: Cabo Frio e Macaé, no Rio de Janeiro, Ji-Paraná, em Rondônia, e Rondonópolis, no Mato Grosso. Até o fechamento desta matéria, não havia confirmação pública e uniforme entre as fontes consultadas sobre qual fração exata dessas 42 rotas é inteiramente inédita e qual já era operada com outro modelo de aeronave: esse detalhe específico segue sem confirmação e deve ser tratado com essa ressalva.
Quanto a companhia contratou e o que isso sinaliza pra quem quer voar
No primeiro semestre de 2026, a LATAM contratou 3.000 profissionais no Brasil. Desse total, 240 são pilotos e 600 são comissários de bordo. Na janela mais ampla de 12 meses, o total passa de 300 pilotos contratados e cerca de 800 tripulantes somando todas as funções de bordo.
Segundo Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, o processo seletivo continua nos próximos meses, acompanhando a expansão da malha doméstica junto com a entrada em operação do E195-E2. Como a chegada das aeronaves se estende até março de 2027, a tendência é que novas etapas de contratação sigam abrindo ao longo desse período, e não se concentrem apenas neste momento de agosto.
O que ainda não está claro é o cronograma exato de cada leva de contratação por base ou por cidade: a companhia não detalhou publicamente, até o momento, quantas vagas serão abertas por conta das novas bases regionais. É um ponto que deve se esclarecer nos próximos meses, à medida que mais informações forem divulgados.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
Mercado&Eventos, "LATAM lucra US$ 125 milhões no 2º trimestre e reforça investimentos apesar da alta de 93% no combustível", 2026 (https://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/latam-lucra-us-125-milhoes-no-2o-trimestre-e-reforca-investimentos-apesar-da-alta-de-93-no-combustivel/)
Poder360, "LATAM registra lucro de US$ 125 milhões no 2º trimestre de 2026", 2026 (https://www.poder360.com.br/poder-infra/latam-registra-lucro-de-us-125-milhoes-no-2o-trimestre-de-2026/)
Transporte Moderno, "LATAM anuncia operação do E195-E2 em 42 rotas, eleva projeções para 2026 e reforça aposta no Brasil", 4 de agosto de 2026 (https://transportemoderno.com.br/2026/08/04/latam-anuncia-operacao-do-e195-e2-em-42-rotas-eleva-projecoes-para-2026-e-reforca-aposta-no-brasil/)



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