Nova falha da NATS volta a atrasar voos no Reino Unido

Uma nova falha técnica no sistema de controle de tráfego aéreo do Reino Unido voltou a provocar atrasos e cancelamentos nesta segunda-feira (21), menos de duas semanas depois do grande problema que interrompeu milhares de voos no país. A ocorrência desta vez foi registrada no centro da NATS em Prestwick, na Escócia, e atingiu principalmente operações no norte do Reino Unido.
Segundo a própria NATS, o incidente começou nas primeiras horas da manhã e levou à aplicação de restrições de tráfego para manter a segurança da operação enquanto os engenheiros investigavam a falha. A empresa informou posteriormente que o problema havia sido corrigido.
A ocorrência é particularmente relevante porque aconteceu apenas três dias depois de a NATS publicar seu relatório preliminar sobre a falha de 8 de setembro, que provocou mais de 2 mil cancelamentos. No documento anterior, a empresa informou que havia identificado um defeito de software e implementado medidas de mitigação.
Onde os voos foram afetados
Os impactos desta segunda-feira ficaram concentrados principalmente na Escócia, na Irlanda do Norte e no norte da Inglaterra. Aeroportos de Glasgow, Edimburgo, Belfast e Manchester registraram atrasos, enquanto outros aeroportos também sofreram efeitos provocados pelas restrições ao espaço aéreo.
A NATS informou inicialmente que os aeroportos ao sul de Manchester estavam, em grande parte, fora da área diretamente afetada. A orientação aos passageiros era verificar o status do voo com a companhia aérea antes de seguir para o aeroporto.
O número de voos cancelados mudou ao longo da manhã conforme as companhias atualizavam suas programações. O The Guardian informou 35 cancelamentos, enquanto a Reuters registrou 24 cancelamentos às 08h58 GMT.
O que provocou a nova falha
Segundo a NATS, a ocorrência desta segunda-feira foi causada por um problema de conectividade em uma parte de sua rede de sistemas, específico da operação no centro de Prestwick. A empresa afirmou expressamente que o episódio não tem relação com a falha registrada no início de setembro.
A distinção é importante porque o incidente anterior teve origem diferente. No relatório preliminar divulgado em 18 de setembro, a NATS informou que o problema de 8 de setembro foi provocado por um defeito em uma pequena parte do software usado pelo sistema nacional de gerenciamento do espaço aéreo.

Na nova ocorrência, a empresa ainda não divulgou uma explicação técnica mais detalhada além da descrição de problema de conectividade. Por isso, não é possível afirmar neste momento qual equipamento, componente ou configuração provocou a interrupção.
Companhias voltam a cobrar respostas
A repetição das falhas aumentou a pressão das companhias aéreas sobre a NATS. A Ryanair afirmou que mais de 140 de seus voos estavam atrasados e que mais de 25 mil passageiros poderiam ser afetados, com atrasos de até três horas, segundo a própria empresa.
A companhia também voltou a pedir a saída do CEO da NATS, Martin Rolfe. Essa é uma posição da Ryanair e não uma conclusão independente sobre responsabilidade pelo episódio.
A Jet2 também pediu medidas urgentes para aumentar a resiliência da infraestrutura britânica de controle de tráfego aéreo. Em comunicado publicado nesta segunda-feira, a empresa relacionou a nova interrupção aos problemas enfrentados pelos passageiros em setembro.
A NATS, por sua vez, pediu desculpas pelos transtornos e informou que trabalha com aeroportos e companhias para retirar as restrições de tráfego de forma segura.
O que isso significa para passageiros brasileiros
O impacto direto sobre quem viaja do Brasil depende da rota e do aeroporto utilizado. A NATS indicou que as operações ao sul de Manchester foram amplamente menos afetadas no início do incidente, o que reduz a possibilidade de uma interrupção generalizada em todo o sistema britânico.
Ainda assim, brasileiros que estejam viajando pelo Reino Unido ou utilizando conexões com voos regionais para Escócia, Irlanda do Norte ou norte da Inglaterra podem enfrentar atrasos ou mudanças de programação. A recomendação oficial da NATS é consultar diretamente a companhia aérea antes do deslocamento.
Para quem embarca em Londres e utiliza o Reino Unido apenas como ponto de conexão, o principal fator será a combinação entre o aeroporto de origem, o aeroporto de conexão e o trecho seguinte. Não há, até o momento desta apuração, indicação de que todos os voos internacionais do país tenham sido afetados.
Uma nova pressão sobre a infraestrutura aérea
O momento aumenta a atenção sobre a confiabilidade da infraestrutura de controle de tráfego aéreo britânica. A falha de 8 de setembro provocou mais de 2 mil cancelamentos e atingiu centenas de milhares de passageiros. Três dias depois de a NATS divulgar o relatório preliminar daquele episódio, uma nova falha voltou a produzir restrições operacionais.
Isso não significa que os dois incidentes tenham a mesma causa. Pelo contrário: a NATS afirma que o evento de 21 de setembro foi provocado por um problema de conectividade em Prestwick e é independente do defeito de software identificado no incidente anterior.
O que os dois episódios têm em comum é o impacto operacional. Quando um sistema de controle de tráfego precisa limitar a quantidade de aeronaves processadas, o efeito rapidamente chega aos aeroportos, às companhias e aos passageiros, mesmo quando a falha é localizada.
Problema foi resolvido, mas atrasos continuam
A NATS informou que o problema de Prestwick foi corrigido e que trabalha para retirar as restrições restantes. Mesmo após a recuperação do sistema, a programação pode levar horas para voltar ao normal porque aeronaves e tripulações ficam fora de suas posições previstas e os horários precisam ser reorganizados.
A companhia responsável pelo controle do espaço aéreo britânico orientou os passageiros a continuar verificando diretamente com suas companhias aéreas. A previsão operacional pode mudar ao longo do dia conforme a demanda e a capacidade dos aeroportos sejam reequilibradas.
Até o fechamento desta matéria, a NATS não havia divulgado uma causa técnica mais específica para o problema de conectividade. A investigação continua, e qualquer conclusão adicional deverá ser baseada nos dados técnicos levantados pelos engenheiros.
Fontes
NATS — Redação — 21/09/2026 — “Technical issue at Prestwick Centre” — https://www.nats.aero/news/technical-issue-at-prestwick-centre/
Reuters — Redação — 21/09/2026 — “New air traffic control failure delays flights at some UK airports” — https://www.reuters.com/world/uk/delays-uks-manchester-airport-over-air-traffic-control-failure-telegraph-reports-2026-09-21/
The Guardian — Redação — 21/09/2026 — “Flights delayed and cancelled in parts of UK after latest air traffic issue” — https://www.theguardian.com/world/2026/sep/21/uk-airports-air-traffic-control-flights-cancelled-delays-nats-prestwick
Associated Press — Redação — 21/09/2026 — “Second technical issue in 2 weeks afflicts UK's air traffic controller, prompting more travel chaos” — https://apnews.com/article/8c93444a3e4ec6f17bdf8596925302b3
NATS — Redação — 18/09/2026 — “NATS publishes preliminary report on technical incident of 8 September” — https://www.nats.aero/news/nats-publishes-preliminary-report-on-technical-incident-of-8-september/
Ryanair — Redação — 21/09/2026 — “RYANAIR CALLS ON NATS CEO MARTIN ROLFE TO RESIGN AFTER ANOTHER SYSTEM FAILURE, LESS THAN 2 WEEKS AFTER LAST NATS COLLAPSE” — https://corporate.ryanair.com/news/ryanair-calls-on-nats-ceo-martin-rolfe-to-resign-after-another-system-failure-less-than-2-weeks-after-last-nats-collapse/



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