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PF indicia cúpula da Voepass pela queda em Vinhedo

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 6 de ago.
  • 5 min de leitura

Relatório final entregue nesta quinta-feira (6/8) aponta aeronave sem condições seguras de voo e segue agora para o Ministério Público Federal.


Foto: Reprodução
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A Polícia Federal apresentou nesta quinta-feira (6/8) o relatório final da investigação sobre a queda do voo Voepass 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024. O documento, resultado de quase dois anos de apuração e mais de 200 páginas de laudo pericial, conclui que a aeronave "não reunia condições seguras" para voar naquele dia.

A PF vai indiciar o então chefe dos pilotos da Voepass, Rafael Gimenez Rodrigues, e mais de uma dezena de integrantes da cúpula administrativa e técnica da empresa, por um modus operandi apontado como negligente na manutenção e na liberação da aeronave para voo. O relatório segue agora para o Ministério Público Federal (MPF), que decide se denuncia os indiciados à Justiça Federal.


O essencial em 30 segundos


  • A Polícia Federal entregou nesta quinta-feira (6/8) o relatório final sobre a queda do voo Voepass 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024.

  • O laudo pericial passa de 200 páginas e conclui que o ATR 72-500 não reunia condições seguras para voar.

  • A PF vai indiciar o ex-chefe dos pilotos da Voepass, Rafael Gimenez Rodrigues, e mais de uma dezena de integrantes da cúpula da empresa.

  • O relatório segue agora para o Ministério Público Federal, que decide entre denunciar os indiciados, pedir novas diligências ou arquivar o caso.

  • Até o fechamento desta reportagem, não há prazo confirmado para a decisão do MPF nem lista oficial completa de indiciados.


Dois anos de apuração até o relatório final


Gerada por IA
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O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024. O voo Voepass 2283, um ATR 72-500 que ia de Cascavel (PR) a Guarulhos (SP), caiu no município de Vinhedo, no interior paulista. Morreram 62 pessoas: 58 passageiros e 4 tripulantes, sem sobreviventes.

Foi o maior acidente da aviação brasileira desde a queda do voo TAM 3054, em 2007. A partir dali, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar responsabilidade criminal, enquanto o CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) investigava o lado técnico e preventivo, em paralelo e de forma independente.

Quase dois anos depois, nesta quinta-feira (6/8), a PF apresentou o relatório final do inquérito. O documento é resultado de um laudo pericial com mais de 200 páginas, reunindo perícia técnica, depoimentos e análise documental da operação da empresa.


O que diz o relatório da Polícia Federal


A conclusão central do relatório é que a aeronave "não reunia condições seguras" para voar no dia do acidente. Com base nisso, a PF vai indiciar o então chefe dos pilotos da Voepass à época do acidente, identificado como Rafael Gimenez Rodrigues.

Além dele, mais de uma dezena de integrantes da cúpula administrativa e técnica da empresa também devem ser indiciados, entre executivos e responsáveis pela operação e pela manutenção da frota. xccccccccccccdddd

As fontes que apuraram o relatório convergem num ponto central: a investigação aponta um modus operandi negligente na manutenção e na liberação da aeronave para voo. A PF não descreve, segundo essa cobertura, uma falha pontual de um único dia, mas um padrão de conduta dentro da operação da empresa que se repetia.

Esse é o tipo de conclusão que muda o status do caso. Deixa de ser só um acidente investigado tecnicamente e passa a ser, também, uma apuração sobre decisões humanas dentro de uma empresa aérea.


A divergência sobre a causa técnica


Sobre o fator técnico que mais pesou no acidente, existe uma divergência pontual entre os veículos que cobriram o relatório. Parte da cobertura aponta falha no sistema de degelo das asas, capaz de causar acúmulo de gelo e perda de sustentação da aeronave em voo.

Outra parte da cobertura cita falha no limpador de para-brisa do comandante como um fator adicional relevante para o desfecho do voo. As duas informações aparecem como parte de uma combinação de falhas técnicas, operacionais, organizacionais e de fiscalização, não como uma causa isolada e definitiva.

O conteúdo integral do laudo de mais de 200 páginas não foi divulgado publicamente até agora. Esse ponto específico pode ganhar mais clareza quando o material completo do relatório vier a público, ou quando o MPF detalhar os termos da eventual denúncia.


O que já dizia o relatório do CENIPA


Antes do relatório da PF, o CENIPA já havia divulgado seu próprio relatório técnico e preventivo, por volta de 23 e 24 de julho deste ano. O órgão descreveu que a Voepass "operou com segurança degradada" no período que antecedeu o acidente.

Segundo o CENIPA, havia falhas de degelo registradas em voos anteriores ao acidente, mas essas falhas eram reportadas apenas verbalmente entre a tripulação, sem registro formal no Diário Técnico de Bordo. O relatório também apontou ausência de monitoramento pelo Programa de Análise de Dados de Voo (PAADV) e fiscalização insuficiente da ANAC sobre a operação da empresa.

Na cabine, nos minutos finais do voo, o CENIPA descreveu que os pilotos sofreram o que chamou de "cegueira e surdez inatencional". Sob alta carga de trabalho, eles deixaram de perceber avisos críticos, num quadro agravado por distrações pessoais que afetaram a consciência situacional do comandante.

O CENIPA fez questão de frisar que seu relatório não aponta culpados nem define responsabilidade civil ou criminal, papel que cabe à Polícia Federal e à Justiça. Os dois relatórios, mesmo produzidos por órgãos diferentes e com propósitos diferentes, descrevem o mesmo cenário de fundo: uma operação com falhas sistêmicas, não um erro isolado de última hora.


Os próximos passos do caso


O relatório final da PF segue agora para o Ministério Público Federal. Cabe ao MPF decidir entre oferecer denúncia formal à Justiça Federal contra os indiciados, pedir novas diligências antes de decidir, ou arquivar o caso.

Em paralelo, seguem em curso processos cíveis e administrativos contra a Voepass, movidos por familiares das vítimas e por órgãos reguladores.

A Voepass, em nota, informou que vai aguardar a divulgação oficial do relatório da Polícia Federal antes de se manifestar sobre o conteúdo apresentado nesta quinta-feira.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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