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Setor que emprega 40 mil ganha espaço na agenda do MPor

Foto do escritor: Marcelo Bueno
Marcelo Bueno
28 de set.
5 min de leitura

Atualizado: 30 de set.

O Ministério de Portos e Aeroportos ampliou o diálogo com as empresas de serviços auxiliares do transporte aéreo, conhecidas como ESATAs. Em reunião realizada em 23 de setembro de 2026 com representantes da Abesata e empresas de ground handling, o setor apresentou demandas relacionadas à modernização de equipamentos, capacitação profissional e estabilidade contratual.

O segmento reúne cerca de 40 mil trabalhadores em atividades como atendimento, bagagem, carga, rampa, limpeza, segurança e outros serviços de apoio à operação aeroportuária. A discussão coloca um grupo que atua nos bastidores da aviação no centro de uma agenda institucional do Ministério.

Até o momento, porém, o governo não anunciou um pacote específico de investimentos ou uma nova política para o setor. As medidas apresentadas na reunião ainda dependem de análises e decisões posteriores.


  • O setor de serviços auxiliares do transporte aéreo reúne cerca de 40 mil trabalhadores.

  • Empresas pedem recursos para modernizar equipamentos usados nas operações em solo.

  • A capacitação profissional também aparece entre as demandas apresentadas ao governo.

  • A Abesata defende maior previsibilidade contratual para estimular investimentos.


Quem são os profissionais que mantêm o aeroporto funcionando


As ESATAs participam de diferentes etapas da operação aeroportuária, incluindo atendimento a passageiros e aeronaves, movimentação de bagagens e cargas, operações de rampa, limpeza e outros serviços de apoio.

Embora muitas dessas atividades ocorram longe dos olhos do passageiro, elas fazem parte da sequência necessária para que uma aeronave seja atendida em solo e preparada para o próximo voo.

A ampliação da interlocução com o Ministério coloca a categoria em uma discussão mais ampla sobre produtividade, infraestrutura, qualificação e condições de investimento no setor aéreo.


Profissionais de ground handling realizando carregamento de bagagens junto a uma aeronave em operação
Imagem ilustrativa gerada por IA.

Equipamentos antigos entram na pauta


Uma das reivindicações apresentadas ao governo foi o acesso a recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil, o FNAC, para modernização de equipamentos. Segundo a Abesata, parte dos equipamentos utilizados pelo setor tem entre 30 e 40 anos de uso.

A entidade relaciona a renovação do parque de equipamentos à eficiência operacional, segurança e sustentabilidade. Entre os equipamentos utilizados no ground handling estão tratores de pushback, esteiras, carrinhos, equipamentos para atendimento de aeronaves e veículos de apoio.

O pedido apresentado ao governo, entretanto, não representa uma liberação automática de recursos. Qualquer programa dependerá de critérios de elegibilidade e de decisões posteriores.


Capacitação profissional também está na discussão


A Abesata também defendeu o uso de recursos públicos para capacitação dos trabalhadores do setor. A entidade afirma contribuir anualmente para fundos relacionados à atividade, mas busca maior acesso a recursos destinados à formação profissional.

A discussão ocorre depois de uma portaria interministerial publicada em julho de 2026 ter estabelecido critérios para aplicação de recursos do FNAC e incluído capacitação, qualificação e formação de profissionais do setor aeroviário entre as possibilidades contempladas.

Isso não significa que as empresas de serviços auxiliares receberão automaticamente recursos para treinamento. São necessárias definições sobre programas, projetos elegíveis, público-alvo e execução.


Operação de carregamento de bagagens em aeronave com equipamento de solo em aeroporto
Imagem ilustrativa gerada por IA.

Contratos curtos preocupam as empresas


Outro ponto apresentado ao Ministério envolve os contratos de prestação de serviços em solo. Segundo a Abesata, existem contratos que podem ser encerrados sem motivo justificado com apenas 60 dias de aviso prévio.

Na visão da associação, esse nível de incerteza dificulta investimentos de longo prazo em equipamentos, tecnologia, treinamento e segurança operacional.

A posição é uma reivindicação empresarial e não representa uma alteração contratual determinada pelo governo. O tema ainda precisa ser discutido entre empresas, companhias aéreas, operadores aeroportuários e autoridades.


Reforma Tributária aumenta a pressão


A pauta também se conecta às preocupações do setor com a Reforma Tributária. Empresas de ground handling defendem a revisão de contratos para considerar os efeitos da mudança sobre custos e tributação.

A discussão tributária é diferente da reunião com o Ministério, mas pode afetar a capacidade de investimento das empresas, principalmente em segmentos que dependem de equipamentos, mão de obra e contratos de prestação de serviços.

Para o setor, previsibilidade financeira e contratual é um elemento importante para justificar investimentos de longo prazo.


Onde o passageiro sente os efeitos


O ground handling está diretamente ligado à operação cotidiana dos aeroportos. Atendimento de aeronaves, carregamento e descarregamento de bagagens, movimentação de cargas, limpeza e preparação do avião fazem parte do turnaround de uma aeronave.

Quando algum elo dessa cadeia enfrenta limitações de equipamento, pessoal ou organização, o problema pode repercutir sobre a pontualidade ou sobre a capacidade de recuperação de uma operação após um imprevisto.

Isso não significa que todo atraso de voo tenha origem no ground handling. A operação aérea depende também de aeronaves, tripulação, clima, tráfego aéreo, infraestrutura e programação da companhia.


Um setor pouco conhecido por quem viaja


A maioria dos passageiros reconhece a companhia aérea e o aeroporto, mas nem sempre sabe quais empresas executam os serviços de apoio em solo.

As ESATAs atuam em diferentes etapas de apoio ao transporte aéreo e podem prestar serviços para companhias, aeroportos ou outros operadores, conforme a estrutura contratual de cada local.

Essa característica faz do ground handling uma parte essencial da cadeia aérea, mesmo quando a marca do prestador não aparece para o consumidor.


O que pode mudar daqui para frente


A principal novidade da reunião com o Ministério é institucional: o segmento passou a ter uma interlocução mais direta para apresentar suas demandas e discutir políticas públicas.

Até agora, não foi anunciado um pacote específico de investimentos, uma linha de crédito exclusiva ou uma mudança imediata nas regras contratuais.

As propostas dependem de análise técnica, jurídica e financeira e de novas conversas entre governo e representantes do setor.


Impacto para quem trabalha nos aeroportos


Os cerca de 40 mil trabalhadores estão distribuídos por diferentes funções e empresas. Isso inclui profissionais de rampa, bagagem, carga, limpeza, atendimento e outras atividades operacionais.

Uma eventual ampliação de programas de capacitação pode aumentar a demanda por formação específica em equipamentos, procedimentos aeroportuários, segurança e atendimento.

Para quem pretende trabalhar na aviação, o setor mostra que a cadeia aérea é muito maior que as funções de piloto e comissário. Uma operação comercial depende de dezenas de atividades especializadas antes, durante e depois do voo.


Próximos passos


O próximo passo depende da continuidade do diálogo entre o Ministério, a Abesata, empresas aéreas e administradores aeroportuários.

As demandas apresentadas ainda precisam passar por análises e eventuais decisões antes de se transformarem em políticas, financiamentos ou alterações contratuais.

O O Aeromoço acompanhará os próximos desdobramentos, especialmente qualquer anúncio sobre modernização de equipamentos, capacitação profissional e mudanças nas condições de contratação do ground handling.


Fontes


Ministério de Portos e Aeroportos | Assessoria Especial de Comunicação Social | 23/09/2026 — "MPor amplia diálogo com setor de serviços auxiliares do transporte aéreo".

ABESATA | Redação | acesso em 28/09/2026 — "Perguntas Frequentes".

Ministério de Portos e Aeroportos | Redação | 31/07/2026 — "Portaria regulamenta aplicação de recursos do FNAC destinados ao transporte aéreo e ao turismo".

Créditos das imagens: foto principal de Ptrump16, Wikimedia Commons, licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0; imagem interna de Downtowngal, Wikimedia Commons, licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0. As imagens são de contexto e não retratam o encontro citado na matéria.

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