FAA adia certificação do 737 MAX 10 por software

Atualizado: 30 de set.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) adiou a certificação do Boeing 737 MAX 10 depois de identificar um problema de software ligado ao sistema de orientação de voo. A decisão foi comunicada em 28 de setembro de 2026 e impede a conclusão do processo até que a questão seja corrigida e avaliada pelo regulador.
O problema pode fazer com que uma função de orientação automática deixe de ficar disponível em uma situação específica durante uma aproximação ou arremetida. A FAA ainda não concluiu publicamente se a condição representa um problema de segurança de voo.
A Boeing está trabalhando em uma correção e colaborando com companhias aéreas e autoridades. O adiamento também interessa ao mercado brasileiro porque a GOL planeja utilizar o MAX 10 em sua frota futura.
A FAA adiou a certificação do 737 MAX 10 até a análise do problema de software.
A questão envolve uma função de orientação automática em uma situação específica de aproximação ou arremetida.
A Boeing está desenvolvendo uma correção e trabalhando com os reguladores.
A GOL está entre as companhias que planejam operar o MAX 10.
Certificação é novamente adiada
O 737 MAX 10 é a maior versão da família 737 MAX e está em processo de certificação há anos. A Boeing vinha sinalizando que o modelo estava próximo da aprovação depois da conclusão dos principais testes de voo.
O novo problema surgiu perto da etapa final. A FAA decidiu interromper o avanço até que o comportamento do software seja analisado e as medidas corretivas necessárias sejam apresentadas.
A decisão não equivale a uma declaração de que a aeronave seja insegura. O regulador informou que ainda precisa concluir sua avaliação antes de emitir o certificado.

O que acontece com o software
O problema envolve uma atualização do software de aviônicos do 737 MAX. Em uma determinada situação, quando a aeronave precisa modificar sua trajetória durante uma aproximação interrompida, uma função de orientação automática pode deixar de estar disponível.
O cenário está ligado à arremetida, procedimento em que a tripulação interrompe o pouso e realiza uma nova aproximação. A análise da FAA considera principalmente a carga de trabalho adicional para os pilotos quando a automação citada não está disponível.
As informações divulgadas até agora não indicam perda de controle da aeronave. O ponto em avaliação é o efeito operacional da perda daquela função automática naquele cenário específico.
FAA ainda avalia o impacto na segurança
O administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a agência ainda não havia concluído se o problema representa uma questão de segurança de voo. A certificação foi adiada justamente para permitir que essa avaliação seja concluída.
A autoridade pretende usar um Corrective Action Review Board para avaliar o caso e definir as medidas corretivas necessárias. Dependendo do resultado, a Boeing poderá precisar fornecer novos dados, testes ou evidências antes da certificação.
A posição do regulador, portanto, é de análise e precaução. Até o momento, não foi apresentada uma conclusão de que o novo software crie uma condição insegura em operação.
Boeing trabalha em uma correção
A Boeing confirmou que está trabalhando para solucionar a questão e que mantém contato com companhias aéreas e reguladores. A empresa também afirmou que pilotos são treinados para conduzir a operação manualmente quando a automação não está disponível.
O novo caso não foi apresentado como repetição dos problemas associados aos acidentes fatais do 737 MAX ocorridos em 2018 e 2019. As informações divulgadas não apontam para uma perda de controle relacionada a este problema de software.
Mesmo assim, o alerta ganhou importância porque envolve um sistema utilizado para auxiliar a tripulação durante uma etapa crítica do voo.

Há impacto potencial em aeronaves já operacionais
O software envolvido também está presente em determinados 737 MAX que já estão em operação. Isso não significa que o modelo esteja paralisado, mas pode resultar em orientações adicionais aos operadores conforme a avaliação da FAA avance.
A companhia canadense WestJet informou que não registrou eventos relacionados ao problema em seus voos e não considera a condição uma ameaça à segurança.
Para o MAX 10, o efeito imediato é mais direto: sem a certificação, o novo modelo não pode avançar para sua entrada em serviço nas etapas dependentes do certificado americano.
Por que o atraso importa para a GOL
A GOL está entre as companhias que planejam utilizar o 737 MAX 10. Em junho de 2026, o presidente da ANAC, Tiago Faierstein, havia dito à Reuters que esperava a certificação americana ainda naquele ano e que a agência trabalharia rapidamente para validar o modelo no Brasil após a aprovação pela FAA.
Essa previsão foi feita antes do novo adiamento. Por isso, não deve ser tratada como o cronograma atual do MAX 10 depois da decisão de setembro.
A Boeing registrou em 2018 um pedido da GOL que incluía 30 unidades do maior modelo do 737 MAX, reforçando a importância do avião para os planos de frota da companhia.
O que o atraso pode significar para o mercado
O adiamento pode exigir ajustes no planejamento de frota e capacidade de companhias que dependem do MAX 10 para sua expansão. Até o momento, porém, não foi anunciada uma mudança específica de rotas ou de capacidade da GOL por causa da decisão.
A consequência comercial depende da duração do atraso e da estratégia de cada operador. Um adiamento de curto prazo pode ter efeito limitado, enquanto uma postergação prolongada pode alterar planos de entrega, substituição ou crescimento.
A distinção é importante porque a decisão da FAA é regulatória; qualquer impacto na malha aérea ainda depende das decisões empresariais posteriores.
Certificação no Brasil também fica condicionada
A ANAC brasileira participa da validação de novos modelos aeronáuticos. Como o certificado americano ainda não foi concluído, a etapa brasileira também não pode avançar para uma validação definitiva baseada nessa aprovação.
Na prática, o cronograma brasileiro do MAX 10 passa a depender do avanço do processo conduzido pela FAA e das etapas seguintes de validação.
A situação reforça a importância de acompanhar não apenas a fabricante, mas também os reguladores que precisarão autorizar a operação do modelo em cada mercado.
O que muda para pilotos e tripulantes
O caso tem dimensão operacional especialmente relevante para pilotos porque envolve automação, procedimento de arremetida e carga de trabalho na cabine.
Eventuais alterações no software ou nos procedimentos podem resultar em atualizações de documentação e treinamento. Esses requisitos, porém, dependem das medidas finais aprovadas pela FAA e posteriormente adotadas pelos operadores.
Para comissários, o impacto direto tende a ser indireto neste estágio. A principal questão operacional está no cockpit, mas qualquer mudança relevante em procedimentos de voo pode gerar reflexos no treinamento integrado da tripulação.
MAX 10 é o maior 737 da família
O 737-10 é o maior integrante da família 737 MAX. Segundo a Boeing, o modelo pode transportar até 230 passageiros em configuração de alta densidade e tem alcance de até 3.100 milhas náuticas, cerca de 5.740 quilômetros.
O projeto busca aumentar a capacidade de transporte em rotas de alta demanda sem recorrer necessariamente a um avião de corredor duplo.
Por esse perfil, o modelo atraiu pedidos de companhias como GOL, Alaska Airlines e Ryanair, entre outras.
Próximos passos
O próximo passo é a Boeing concluir a correção do software e entregar as informações necessárias para a análise da FAA. A autoridade americana ainda não estabeleceu uma nova data definitiva para a certificação.
O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou em 29 de setembro esperar um atraso curto, possivelmente de alguns dias, mas essa é uma expectativa da companhia e não um novo cronograma oficial da FAA.
Enquanto a avaliação continua, o fato confirmado permanece o mesmo: o 737 MAX 10 ainda não recebeu o certificado da FAA e o processo está adiado até que o problema de software seja resolvido e considerado satisfatório pelo regulador.
Fontes
Reuters | David Shepardson e Allison Lampert | 28/09/2026 — "US FAA delays Boeing 737 MAX 10 certification, shares dive 7%".
The Jakarta Post / AFP | John Biers | 29/09/2026 — "Certification of Boeing 737 MAX delayed by software bug".
Boeing | Redação | 28/07/2026 — "737-10 completes final certification flight".
Boeing | Redação | 16/09/2026 — "CEO: 737-10 certification ‘very soon,’ more to do to stabilize production".
Reuters | Gabriel Araujo e Luciana Magalhaes | 09/06/2026 — "Brazil regulator expects MAX 10 certification this year".
Boeing | Redação | 29/08/2018 — "Boeing, GOL Debut Airline's First 737 MAX Airplane".
Créditos das imagens: foto principal do Boeing 737 MAX 10 demonstrador por Steve Knight, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. Foto interna do cockpit por GeoMancer448, Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0. Ambas são fotos de arquivo e não retratam o evento específico de 28 de setembro de 2026.



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