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Como funciona o RBAC 117? Entenda as regras de jornada dos aeronautas

Foto do escritor: Marcelo Bueno
Marcelo Bueno
há 2 dias
5 min de leitura

Linha fina: Entenda como o regulamento da ANAC organiza limites de jornada, períodos de repouso, tempo de voo e gerenciamento da fadiga para tripulantes da aviação civil brasileira.


Resumo executivo

  • O RBAC 117 estabelece requisitos para gerenciamento do risco de fadiga humana de tripulantes, com regras sobre limites operacionais e descanso.

  • O regulamento não trata apenas de horas voadas: considera jornada, apresentação, repouso e efeitos do relógio biológico.

  • As regras aplicáveis variam conforme a operação e o modelo de gerenciamento de fadiga, dentro das condições previstas pela ANAC.

  • Conhecer o RBAC 117 ajuda candidatos e profissionais a compreender escalas, repouso e segurança operacional.

  • A norma deve ser estudada com o Código Brasileiro de Aeronáutica, a Lei do Aeronauta e demais regulamentos pertinentes.


O que é o RBAC 117?

O Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 117, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), trata dos requisitos para gerenciamento de risco de fadiga humana. Ele estabelece limitações operacionais e procedimentos para reduzir a possibilidade de que a fadiga comprometa a atuação dos tripulantes.

A Emenda nº 01 foi aprovada pela Resolução ANAC nº 750, de 26 de junho de 2024, com exigibilidade em regra a partir de 1º de fevereiro de 2025. Consulte sempre o texto oficial vigente para confirmar alterações posteriores.

O regulamento alcança operadores e tripulantes abrangidos por seu campo de aplicação, em diferentes modalidades operacionais. Não se deve presumir que todas as operações usam a mesma tabela de limites.


Por que existe uma regra específica para fadiga?

A fadiga pode resultar de sono insuficiente, tempo prolongado em vigília, alterações do ciclo de sono e vigília, desajustes circadianos e carga de trabalho. Pode afetar atenção, memória, tempo de reação e tomada de decisões.

Para comissários, isso importa porque as funções de cabine incluem verificações de segurança, monitoramento de passageiros, resposta a emergências e coordenação com a tripulação. O trabalho não se resume ao atendimento a bordo.


Jornada, tempo de voo, repouso e folga: qual é a diferença?


Jornada de trabalho

A jornada considera o período de trabalho conforme os critérios regulamentares, e não apenas o tempo em que a aeronave permanece no ar. Apresentação, preparação, briefing e outras atividades podem fazer parte dela, de acordo com as regras aplicáveis.


Tempo de voo

O tempo de voo é uma medida diferente da jornada. O RBAC 117 prevê limites específicos de voo, pousos e acúmulo de horas conforme a operação e o apêndice aplicável.


Repouso e folga

Repouso é o período destinado à recuperação antes de uma nova jornada, conforme as condições regulamentares. Folga não é sinônimo de repouso: o RBAC 117 a define como período de pelo menos 24 horas consecutivas na base contratual, durante o qual o tripulante fica desobrigado das atividades relacionadas ao trabalho, observada a legislação aplicável.


Como o RBAC 117 estabelece os limites?

O regulamento não adota uma única tabela universal. Ele organiza requisitos por tipo e complexidade da operação, com apêndices que detalham limites de jornada, tempo de voo, repouso e outras condições.


Nível básico e gerenciamento de risco da fadiga

O Apêndice A estabelece limites básicos. Outros apêndices tratam de operações específicas, incluindo transporte aéreo com dois ou mais pilotos, operações aeromédicas e determinadas operações de aviação geral. O enquadramento precisa ser confirmado no texto vigente.


O que muda em operações mais complexas?

Composição de tripulação, revezamento, diferenças de fuso e estado de aclimatação podem alterar quais requisitos se aplicam. Por isso, um limite estudado para determinada operação não deve ser automaticamente usado para outra.


O que são GRF e SGRF?

O gerenciamento de risco da fadiga reúne limites e procedimentos para administrar o risco de acordo com a operação. O Sistema de Gerenciamento de Risco da Fadiga (SGRF) é uma abordagem estruturada que exige procedimentos, acompanhamento e controles previstos na norma. Não representa autorização irrestrita para ampliar jornadas.

A finalidade é evitar que a escala seja tratada apenas como uma soma de horas. Horário de início, sono anterior, trabalho acumulado, operações noturnas e oportunidade real de recuperação também importam.


Madrugada e relógio biológico

O ritmo circadiano influencia o sono e o estado de alerta. Trabalhar de madrugada ou em horários biologicamente desfavoráveis pode aumentar a dificuldade de manter a atenção, especialmente quando há privação de sono ou mudanças de horário.

Na rotina, o tripulante pode planejar o sono, reduzir luz e ruído no ambiente de descanso, evitar compromissos que prejudiquem a recuperação e comunicar sinais relevantes de fadiga pelos canais da empresa. Essas medidas complementam os controles operacionais, mas não substituem os limites normativos.


Quem é responsável pelo cumprimento do RBAC 117?

Responsabilidades do operador

O operador deve cumprir os requisitos aplicáveis, planejar escalas dentro dos limites pertinentes, manter os procedimentos exigidos e gerenciar riscos associados à fadiga. Quando aplicável, deve implementar os mecanismos de gerenciamento previstos e observar as exigências de aceitação ou aprovação da ANAC.

Responsabilidades do tripulante

O tripulante deve conhecer os procedimentos da empresa, observar as regras de apresentação e repouso e comunicar situações relevantes de fadiga conforme os canais definidos. Cumprir formalmente um limite de horas não significa que todo risco de fadiga esteja automaticamente resolvido.


O RBAC 117 pode mudar?

Sim. Regulamentos podem ser revistos após avaliações técnicas, consultas públicas e deliberações da ANAC. Em 11 de setembro de 2026, a ANAC publicou a Portaria nº 19.976, instituindo Grupo de Trabalho sobre Fadiga para analisar propostas de alteração do RBAC 117, incluindo temas como repouso, folga, madrugada, início cedo, tempo de voo acumulado e contabilização da jornada. A criação do grupo não significa que propostas já sejam regras vigentes.


Como estudar o RBAC 117 para seleções e para a rotina profissional?


  • Passo 1: diferencie jornada, tempo de voo, repouso, folga, fadiga, madrugada e aclimatação.

  • Passo 2: identifique o apêndice aplicável antes de memorizar limites numéricos.

  • Passo 3: leia o RBAC 117 vigente e os atos que o aprovam; resumos não substituem a norma.

  • Passo 4: relacione as regras à segurança, explicando como a fadiga pode afetar a atuação da tripulação.

  • Passo 5: acompanhe a página oficial da ANAC antes de provas, entrevistas e aplicação profissional.


Em processos seletivos, demonstre que entende o propósito da regra. Ao mencionar números, informe a operação e a referência normativa a que se aplicam, sem presumir que todas as empresas usam os mesmos limites.


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Fontes

ANAC — RBAC nº 117, Emenda nº 01: Requisitos para gerenciamento de risco de fadiga humana. Página oficial: https://www.anac.gov.br/assuntos/legislacao/legislacao-1/rbha-e-rbac/rbac/rbac-117

ANAC — Resolução nº 750, de 26 de junho de 2024. https://www.anac.gov.br/assuntos/legislacao/legislacao-1/resolucoes/2024/resolucao-750

ANAC — Portaria nº 19.976, de 11 de setembro de 2026, Grupo de Trabalho sobre Fadiga. https://www.anac.gov.br/assuntos/legislacao/legislacao-1/boletim-de-pessoal/2026/bps-v-21-no-36-08-a-11-09-2026/portaria-no-19976-11-09-2026/visualizar_ato_normativo

Brasil — Lei nº 13.475, de 28 de agosto de 2017, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13475.htm

Apuração normativa conferida em 13 de outubro de 2026. Para aplicação profissional, consulte a versão oficial vigente e os procedimentos pertinentes ao operador.

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