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Grupo Abra obtém aval do Chile e avança para controlar a SKY Airline

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 16 de jun.
  • 3 min de leitura

Promotoria chilena libera negócio de US$ 100 milhões que une marcas da Gol e Avianca à low-cost andina; falta apenas aval regulatório do Peru para o fechamento.


Imagem: Avião da SKY com logo da ABRA na imagem | Fonte: Gerada por IA
Imagem: Avião da SKY com logo da ABRA na imagem | Fonte: Gerada por IA

A Fiscalía Nacional Económica (FNE) do Chile deu sinal verde para o Grupo Abra assumir o controle total da SKY Airline. A decisão do órgão de defesa da concorrência chileno destrava o avanço da holding, que já comanda a brasileira Gol, a colombiana Avianca e a espanhola Wamos Air. A autorização em Santiago ocorreu um dia após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no Brasil, aprovar a mesma transação sem restrições.

O parecer da promotoria chilena impôs apenas remédios comportamentais leves, focados em limitar cláusulas de não concorrência e proibir o aliciamento de executivos. A FNE mapeou o impacto da fusão no transporte de passageiros, cargas e no leasing de aeronaves. A agência concluiu que o risco ao mercado é baixo, já que as 142 rotas operadas pela Abra e as 40 linhas da SKY quase não possuem sobreposições diretas de voos.


O rastro financeiro que começou na pandemia


Imagem: Avião da SKY | Fonte: Wikipédia
Imagem: Avião da SKY | Fonte: Wikipédia

A costura para a compra definitiva da empresa chilena começou nos anos mais agudos da crise sanitária global. Diante do colapso do tráfego aéreo e da reestruturação forçada de gigantes regionais, a holding aportou um financiamento de US$ 100 milhões na SKY Airline. O dinheiro entrou no caixa da aérea de baixo custo por meio de um título de dívida conversível em ações.

Esse mecanismo financeiro permitia a conversão da dívida em participação minoritária ou no controle majoritário. O contrato atual prevê a transferência de todas as cotas detidas pelo Grupo Gibraltar para as mãos da Abra. A família Paulmann Mast, fundadora da low-cost, negocia agora qual será a sua fatia minoritária remanescente na nova estrutura societária e suas cadeiras no conselho.


Fronteiras andinas e o foco na integração


Fonte, Site da ABRA
Fonte, Site da ABRA

A meta traçada pelo CEO da holding, Adrian Neuhauser, é liquidar a transação comercial entre julho e agosto deste ano. O executivo adiantou os planos do grupo durante a última Assembleia Geral da Iata, no Rio de Janeiro. A prioridade imediata da gigante de aviação será consolidar a conectividade dentro da América Latina, criando sinergias logísticas sem alterar a identidade operacional das marcas.

A consolidação continental da holding avança após uma tentativa frustrada de expansão em solo brasileiro. No início de 2025, os controladores da Gol e da Avianca abriram estudos preliminares para uma fusão com a Azul. O processo naufragou por completo após a Azul entrar com um pedido formal de recuperação judicial. Ambas as companhias declararam o encerramento definitivo daquelas tratativas.

O fechamento global do negócio que adicionará a frota da SKY ao inventário da holding — ultrapassando a marca combinada de 300 aeronaves — aguarda apenas um último parecer. O Instituto Nacional de Defesa da Concorrência e da Proteção da Propriedade Intelectual (Indecopi), do Peru, precisa emitir o seu veredito técnico. Como a SKY mantém uma subsidiária importante baseada em Lima, a validação das autoridades peruanas é a última barreira legal para a conclusão do negócio.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

  • Resoluções técnicas e parecer de aprovação da Fiscalía Nacional Económica (FNE) do Chile.

  • Atas de aprovação de atos de concentração do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Brasil.

  • Pronunciamentos e apresentações institucionais do CEO do Grupo Abra, Adrian Neuhauser, durante a Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata).

  • Dados operacionais e malhas de voos divulgados pelas assessorias da SKY Airline e da Avianca Cargo.

  • Cobertura de mercado e relatórios de aviação dos portais Aeroin, Panrotas e Forbes Peru.

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