JetSmart injeta US$ 550 milhões na Argentina, encurrala Flybondi e abre nova rota ao Brasil
- Marcelo Bueno

- 23 de jun.
- 2 min de leitura
Companhia low cost chilena prevê basear 23 aeronaves no país vizinho até o início de 2027 e confirma voo direto entre Buenos Aires e Maceió.

A companhia aérea de baixo custo JetSmart confirmou um aporte de US$ 550 milhões para expandir sua malha e frota na Argentina. O plano estratégico da operadora mira um salto das atuais 15 para 23 aeronaves baseadas no país vizinho até janeiro de 2027. A estratégia contempla o adensamento da operação doméstica argentina e a inauguração de uma ligação internacional direta entre Buenos Aires e Maceió (AL), com início das operações cravado para dezembro deste ano.
O CEO e fundador da empresa, Estuardo Ortiz, oficializou os números durante uma rodada com a imprensa na capital argentina. A operação obteve a chancela do Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil, que acompanhou as negociações bilaterais. O aporte milionário financiará a abertura de 300 empregos locais e a modernização da frota com unidades do Airbus A321neo. O modelo, capaz de transportar até 240 passageiros, joga o custo operacional por assento para baixo e fortalece a margem financeira da companhia.
O vácuo da concorrência e a mira no Brasil
A manobra da JetSmart tira proveito direto de uma reestruturação forçada na concorrência. A também operadora de baixo custo Flybondi atravessa um enxugamento severo de malha, pressionada por gargalos operacionais e financeiros históricos na Argentina. Ortiz projeta aumentar a capacidade da JetSmart em 40% nos próximos meses para engolir exatamente a demanda represada pela rival. Hoje, a empresa detém 24,4% do mercado interno argentino e se isola na vice-liderança do setor, atrás apenas da estatal Aerolíneas Argentinas.
Além de abrir novos voos domésticos para San Juan, Posadas e Santiago del Estero, o radar da companhia foca a rentabilidade do tráfego internacional. O voo para Alagoas terá os bilhetes comercializados a partir de julho e soma-se à rede que a chilena já mantém em São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Florianópolis, Recife e Natal. Dados do governo federal mostram que o eixo Brasil-Argentina movimentou 4,8 milhões de passageiros no último ano, mantendo o país vizinho como o principal e mais lucrativo emissor de turistas estrangeiros para os destinos nacionais.
Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:
Panrotas (Matéria primária com os dados do aporte de US$ 550 milhões e criação de empregos).
Airway (Apuração independente sobre a crise interna da Flybondi e as vantagens da incorporação do Airbus A321neo).
Agência iNFRA / Governo Federal (Confirmação oficial do Ministério de Portos e Aeroportos e estatísticas de tráfego aéreo internacional).
Nota do Editor: Até o fechamento desta reportagem, a Flybondi não havia se posicionado publicamente sobre a agressiva expansão da concorrente sobre suas rotas de operação. A informação sobre as tarifas de lançamento para o trecho Buenos Aires-Maceió também não foi divulgada e depende da abertura do sistema de vendas, prevista para o próximo mês.



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