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Triplo gatilho comercial e militar faz ações da Embraer dispararem na B3

  • Foto do escritor: Marcelo Bueno
    Marcelo Bueno
  • 16 de jun.
  • 3 min de leitura
Fonte: Banco de Imagens Unsplash
Fonte: Banco de Imagens Unsplash

Avanço do jato C-390 na Europa, promessa de fábrica na Índia e fim de gargalo nos motores da Pratt & Whitney jogam papéis para perto de R$ 78.


A Embraer liderou os ganhos no pregão da B3 após uma sequência de notícias positivas inflar o otimismo do mercado financeiro nos segmentos de defesa e aviação comercial. Os papéis ordinários da fabricante brasileira (EMBJ3) registraram alta de 6% e passaram a ser negociados a R$ 77,23, tocando a máxima diária de R$ 78,55. O rali da companhia aeroespacial ignorou a volatilidade recente do Ibovespa e consolidou a recuperação dos ativos após perdas acumuladas no mês anterior.

Três fatores simultâneos sustentam o forte apetite dos investidores. O avanço na venda de cargueiros militares para a Grécia deu o tom inicial ao movimento de alta. Em paralelo, os planos de abertura de uma linha de montagem em solo indiano e o anúncio de que os problemas operacionais com os motores Pratt & Whitney nos jatos comerciais E2 foram superados deram fôlego extra para a disparada das ações.


O avanço militar na Europa e o plano na Ásia


A movimentação mais robusta ocorreu nos bastidores diplomáticos de Atenas. Um comitê do Parlamento grego aprovou a aquisição de três aeronaves multimissão C-390 Millennium. O pacote de defesa está avaliado entre € 1 bilhão e € 1,2 bilhão, e a transação deve ser costurada em um acordo direto entre governos, utilizando opções de compra controladas por Portugal. Analistas do JPMorgan calculam que o negócio injetará mais de US$ 360 milhões na carteira de pedidos da divisão de Defesa, representando um acréscimo de 8% sobre os US$ 4,4 bilhões já contratados.

Do outro lado do globo, a fabricante planeja cravar sua bandeira no mercado asiático. A diretoria da Embraer confirmou a intenção de instalar uma unidade fabril do KC-390 na Índia se vencer a concorrência da Força Aérea local para o fornecimento de aeronaves de transporte médio. A iniciativa prevê uma parceria com o Mahindra Group para manufatura e manutenção local, marcando aquela que pode ser a única linha de montagem do modelo fora do território brasileiro.


Fonte: Banco de Imagens Unsplash
Fonte: Banco de Imagens Unsplash

Fim dos aviões no chão eleva projeções


No braço de aviação comercial, o alívio operacional foi o principal combustível para as recomendações de compra de grandes bancos. A Embraer reportou que os problemas crônicos de fornecimento e durabilidade dos motores Pratt & Whitney — que afetavam a família de jatos regionais E2 — foram praticamente equalizados. A taxa de aeronaves paradas (Aircraft on Ground) desabou de 22% para cerca de 1%.

A expectativa interna indica que nenhum jato E2 estará retido em solo por falhas de motor até o término do ano corrente. Com isso, a empresa manteve a meta de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais neste ciclo, usufruindo de uma vantagem logística: a Embraer possui vagas de produção disponíveis antes de 2030, enquanto as rivais Airbus e Boeing enfrentam filas de espera que travam novos pedidos de companhias aéreas.

Com os novos anúncios, a carteira total de pedidos firmes da Embraer atingiu a marca histórica de US$ 31,6 bilhões. Instituições financeiras como Bradesco BBI e BTG Pactual apontaram que a desvalorização de 10,7% sofrida pelas ações no balanço anterior foi um movimento exagerado do mercado. O Bradesco BBI sustenta um preço-alvo de R$ 110 para o papel, enquanto o JPMorgan destaca que a fabricante nacional segue negociada com desconto substancial em relação a concorrentes globais como a Bombardier e a própria Airbus.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

  • Relatórios de mercado financeiro e cotações da B3.

  • Dados operacionais e de backlog divulgados pela assessoria da Embraer Commercial Aviation.

  • Correspondências internacionais e despachos das agências Reuters e FlightGlobal em Atenas e Nova Delhi.

  • Notas setoriais emitidas pelos departamentos de análise do JPMorgan, Bradesco BBI e BTG Pactual.

  • Cobertura de mercado do portal Investing.com Brasil.

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