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RBAC 117: SNA leva à Anac dado de sono em voo

Foto do escritor: Marcelo Bueno
Marcelo Bueno
4 de set.
3 min de leitura

Na quarta-feira, 03 de setembro de 2026, o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) se reuniu com a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para tratar da revisão do RBAC 117, a norma que regula o gerenciamento de risco de fadiga humana na aviação brasileira. Participaram do encontro o diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, o diretor-relator do RBAC 117, Antonio Mathias Moreira, e o Brigadeiro do Ar Ruy Amparo. Na pauta, o SNA apresentou os resultados da própria "Pesquisa de Fadiga 2026" como argumento para acelerar a mudança da regra.


O essencial:


  • O SNA se reuniu com a diretoria da Anac em 03/09/2026 para cobrar avanço na revisão do RBAC 117.

  • Segundo o sindicato, 80,8% dos tripulantes ouvidos afirmam já ter pego no sono sem querer durante o voo, trabalhando.

  • Para 93% dos participantes da pesquisa do SNA, o tempo de descanso previsto na regra atual não é suficiente.

  • Cerca de 9 em cada 10 tripulantes, ainda segundo o SNA, concordam que as regras vigentes aumentam o risco de fadiga.

  • A Anac não anunciou nenhum prazo novo para concluir a revisão do RBAC 117 nesta reunião.

Imagem Gerada por IA
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O que o SNA apresentou à Anac


O encontro de quarta-feira integra o processo de revisão do RBAC 117, regulamento que define, entre outros pontos, limites de jornada e tempo mínimo de descanso para tripulantes de cabine e de voo. Essa revisão já é discutida há tempo dentro do setor, e o SNA usou a reunião para tentar dar novo fôlego ao processo.

Para isso, o sindicato levou à mesa os resultados da Pesquisa de Fadiga 2026, um levantamento próprio conduzido com a categoria. A lógica por trás da apresentação é direta: transformar percepção subjetiva de cansaço em número concreto, difícil de ignorar numa negociação regulatória que está em aberto há meses.


Os números, segundo o SNA


De acordo com o sindicato, 80,8% dos tripulantes consultados afirmam já ter pego no sono sem querer durante o voo, trabalhando. Não se trata de sentir sono, e sim de efetivamente cochilar, ainda que por poucos segundos, no meio do serviço.

Ainda segundo o SNA, para 93% dos participantes da pesquisa o tempo de descanso previsto na regulamentação atual não é suficiente. E cerca de 9 em cada 10 tripulantes concordam que as regras vigentes hoje aumentam o risco de fadiga. Os três números, juntos, formam o argumento central que o sindicato levou à diretoria da Anac: a norma atual não estaria dando conta de proteger o descanso da categoria.


Fonte única: por que isso precisa ficar claro


Até o fechamento desta apuração, os números da Pesquisa de Fadiga 2026 vêm de uma fonte só, o próprio SNA, sindicato que representa a categoria e que tem interesse direto no resultado da revisão do RBAC 117.

A Anac também não divulgou nota própria detalhando os dados apresentados nessa reunião. O sindicato, nas informações disponíveis até aqui, tampouco detalhou a metodologia da pesquisa: não há informação sobre tamanho da amostra, período de coleta ou forma de aplicação.

Isso não torna o dado falso. Torna-o, por enquanto, o argumento de uma das partes interessadas no debate, não um levantamento duplamente checado ou validado por terceiros. É assim que este texto trata a informação do início ao fim, e é a leitura que recomendamos para quem for repassar esse número adiante.


O que muda (e o que ainda não muda) no RBAC 117


Na prática, para quem já trabalha em cabine hoje, nada muda de imediato. A norma vigente segue sendo o RBAC 117 atual, com os limites de jornada e descanso já conhecidos pela categoria.

O que muda é o ambiente de pressão em torno da revisão. O SNA cobrou da Anac "maior celeridade" no processo, mas a agência não anunciou nenhum prazo novo nessa reunião. Ou seja: houve reunião de alto nível, com o presidente da Anac e o relator da norma na mesa, e houve dado forte apresentado pelo sindicato, mas sem compromisso formal de data para uma nova versão do regulamento.


Uma semana de mobilização concentrada do SNA


Vale situar essa reunião dentro de um contexto mais amplo. Na mesma semana, em 02 de setembro, o SNA lançou campanha contra a cabotagem aérea e se mobilizou no Senado pelo fim da escala 6x1. A reunião sobre o RBAC 117, no dia seguinte, se soma a essas duas frentes: foi uma semana de atuação política concentrada do sindicato em Brasília, com a fadiga entrando como mais uma bandeira dentro dessa agenda.


Fontes consultadas e checadas para esta reportagem:

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