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Brasil se prepara para os eVTOLs e prevê voos em 2028

Foto do escritor: Marcelo Bueno
Marcelo Bueno
há 2 dias
4 min de leitura

O Brasil iniciou uma nova etapa de preparação para a chegada dos eVTOLs, aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical. Em reunião realizada em 21 de setembro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu representantes da Secretaria Nacional de Aviação Civil, ANAC, DECEA e Eve Air Mobility para discutir as condições necessárias para a futura operação da tecnologia no país.

A projeção apresentada no encontro aponta 2028 como horizonte para o início das primeiras operações comerciais, depois da conclusão da certificação da aeronave e da estruturação do ambiente operacional. A data é uma previsão condicionada ao avanço dessas etapas, e não uma garantia de início dos voos.


  • Eve e ANAC trabalham com a projeção de primeiras operações comerciais em 2028.

  • A preparação envolve certificação, vertiportos, energia, telecomunicações e integração ao espaço aéreo.

  • A Eve apresentou uma projeção de cerca de 12 minutos entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto de Guarulhos.

  • O projeto prevê uma nova cadeia operacional para aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical.


Preparação vai além da certificação


A certificação da aeronave é apenas uma das etapas necessárias. Durante a reunião, os participantes discutiram a infraestrutura que terá de existir em solo para receber os eVTOLs, incluindo vertiportos, sistemas de carregamento e fornecimento de energia.

Também entram na preparação requisitos de segurança contra incêndio, telecomunicações e procedimentos específicos para o novo tipo de operação. A implantação precisa ocorrer de forma coordenada com as características técnicas da aeronave e com a realidade dos aeroportos e áreas urbanas.

Outro desafio é a integração ao espaço aéreo. Os eVTOLs deverão compartilhar o ambiente operacional com helicópteros e outras aeronaves, exigindo procedimentos compatíveis com o sistema de controle de tráfego aéreo existente.


Ilustração de um vertiporto para eVTOL em área urbana brasileira
Ilustração editorial: conceito de vertiporto para mobilidade aérea urbana.

São Paulo aparece entre os primeiros mercados


A reunião apresentou uma das aplicações consideradas para a tecnologia: a ligação entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo a projeção divulgada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, um deslocamento que hoje pode consumir de uma a duas horas de carro poderia ser realizado em cerca de 12 minutos com um eVTOL.

O tempo é uma estimativa de percurso associada ao conceito de operação e não representa um serviço comercial disponível atualmente. Para que a rota seja efetivamente oferecida, ainda é necessário concluir as etapas regulatórias, de infraestrutura e de certificação.

A Revo participou das discussões como potencial operadora em São Paulo. A presença de uma empresa interessada em operar a tecnologia reforça o foco do mercado paulista dentro dos planos de desenvolvimento da mobilidade aérea avançada.


Eve avança nos testes e na certificação


A Eve mantém sua campanha de ensaios com o protótipo em escala real. O primeiro voo do protótipo não tripulado ocorreu em dezembro de 2025, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

Em 2026, a empresa ampliou a campanha de testes e acumula voos destinados a gerar dados para o processo de certificação. O desenvolvimento envolve sistemas de controle de voo, propulsão elétrica e transição entre os diferentes regimes de voo.

A ANAC também abriu, em julho de 2026, consultas setoriais sobre critérios de aeronavegabilidade e ruído para o EVE-100. A agência informou que as características do projeto exigem critérios específicos e alinhados a referências internacionais.


Uma nova operação para a aviação


A entrada dos eVTOLs cria uma camada adicional na aviação urbana. A proposta combina aeronaves elétricas, operações verticais e conexões entre pontos urbanos sem depender exclusivamente de pistas convencionais.

Isso também cria novas necessidades para aeroportos, vertiportos, operadores, fornecedores de energia, empresas de tecnologia e órgãos de controle. A reunião conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos busca antecipar essas demandas antes do início das operações.

Para os profissionais de aviação, a evolução merece atenção porque a expansão de novos modelos de operação pode gerar novas rotinas, procedimentos, treinamentos e funções. Os requisitos profissionais específicos ainda dependem da regulamentação e da definição dos modelos operacionais que serão adotados.


O que precisa acontecer até 2028


A certificação da aeronave é uma condição central para o projeto. Paralelamente, será necessário estruturar vertiportos, energia e carregamento, comunicação, segurança operacional e integração com o controle do espaço aéreo.

Também será preciso coordenar órgãos federais, autoridades aeronáuticas, municípios e empresas privadas. Essa integração será determinante para que a tecnologia passe da fase de testes para um serviço regular.

Por enquanto, 2028 deve ser tratado como horizonte projetado para as primeiras operações comerciais. A conclusão das etapas técnicas, regulatórias e de infraestrutura será o principal fator para definir quando os passageiros poderão efetivamente embarcar em um eVTOL no Brasil.


Fontes


Ministério de Portos e Aeroportos | Assessoria de Comunicação Social | 22/09/2026 — "Brasil avança na preparação para operações com aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical".

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